
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a partir desta quarta-feira (2) vai impor novas tarifas a uma série de parceiros comerciais pelo mundo, aprofundando a tensão no comércio internacional e ameaçando elevar custos para consumidores e empresas. A decisão marca uma guinada no comércio internacional e já provoca reações de governos estrangeiros.
Os detalhes das tarifas, que fazem parte do que Trump chamou de "Dia da Libertação" do comércio norte-americano, foram mantidos em sigilo até a cerimônia de anúncio no Rose Garden da Casa Branca, programada para as 16h no horário local. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, as tarifas entrarão em vigor imediatamente após o anúncio, enquanto uma taxa global de 25% sobre importações de automóveis passa a valer a partir de 3 de abril.
O presidente norte-americano argumenta que a medida busca equilibrar a balança comercial dos EUA e neutralizar barreiras não tarifárias que, segundo ele, prejudicam as exportações norte-americanas. “Estamos corrigindo décadas de injustiça comercial e garantindo que os trabalhadores americanos tenham uma chance justa no mercado global”, afirmou Trump recentemente. No entanto, ainda há incerteza sobre o formato das novas tarifas, com relatos de que a Casa Branca considera uma taxa universal de 20%.
A nova rodada de tarifas vem se somar a uma série de medidas protecionistas adotadas por Trump desde o início de seu segundo mandato. Nos últimos meses, sua administração impôs uma taxa de 20% sobre todas as importações da China associadas ao fentanil, além de restabelecer tarifas de 25% sobre aço e alumínio, abrangendo US$ 150 bilhões em produtos industrializados.
Especialistas alertam que essas tarifas se acumulam, o que pode gerar impactos significativos. Um automóvel fabricado no México, por exemplo, que antes pagava 2,5% para entrar nos EUA, agora estará sujeito a uma tarifa combinada de até 52,5%, considerando os impostos setoriais e as tarifas relacionadas ao fentanil. Caso o governo mexicano esteja na lista de países afetados pelas novas tarifas, esse percentual poderá ser ainda maior.
Economistas do Federal Reserve Bank de Atlanta indicam que a incerteza gerada pelas tarifas está minando a confiança de investidores e empresas, o que pode desacelerar a atividade econômica e pressionar a inflação. Uma pesquisa recente mostrou que executivos do setor privado esperam aumento nos preços e redução no ritmo de contratações e investimentos.
A volatilidade do mercado reflete essas preocupações. Desde meados de fevereiro, as bolsas norte-americanas já perderam quase US$ 5 trilhões em valor de mercado, com investidores apreensivos sobre os desdobramentos da política comercial de Trump.
A reação dos parceiros comerciais dos EUA foi rápida. União Europeia, Canadá e México prometeram retaliar com tarifas próprias, enquanto tentam, paralelamente, negociar com Washington. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, conversaram na terça-feira sobre estratégias para lidar com as novas barreiras impostas pelos EUA.
"Com tempos desafiadores pela frente, enfatizamos a importância de proteger a competitividade norte-americana, respeitando ao mesmo tempo a soberania de cada nação", afirmou o gabinete de Carney em comunicado. Empresas dos EUA também alertam para impactos negativos, com o aumento do movimento "Compre produtos canadenses" prejudicando exportadores norte-americanos.
Trump, no entanto, mantém sua retórica de que os trabalhadores e fabricantes americanos foram prejudicados por décadas de acordos de livre comércio. Segundo ele, as tarifas ajudarão a corrigir um déficit comercial que ultrapassa US$ 1,2 trilhão.
Mas economistas alertam que a estratégia pode sair caro para os próprios consumidores norte-americanos. De acordo com o Yale University Budget Lab, uma tarifa adicional de 20% elevaria os custos para a família média dos EUA em pelo menos US$ 3.400 ao ano. Além disso, o impacto dessas medidas sobre a economia global ainda é incerto, mas especialistas já preveem um ambiente de maior protecionismo e desaceleração do comércio mundial.
Fonte: Brasil 247