
O religioso, militante político e escritor Frei Betto lançou nesta quarta-feira (2), em Teresina, o livro "Quando fui pai do meu irmão". O evento foi realizado no Theatro 4 de Setembro, localizado na Praça Pedro II, no Centro da cidade.
Frade dominicano, jornalista e militante político, Frei Beto esteve preso sob a ditadura militar em 1964 e de 1969 a 1973. No cárcere, escreveu seu primeiro livro, Cartas da prisão.
Durante anos, cuidou de seu irmão caçula, afetado por distúrbios mentais. A relação afetuosa entre os dois comprova que a melhor terapia para dependentes químicos é o amor, embora médicos, remédios e terapias sejam necessários. Nada, porém, substitui o apoio familiar, como o autor testemunha nessas páginas. Nesta obra, o autor relata surpreendentes lições de vida cheias de sabedoria, pedagogia e espiritualidade.
O deputado Francisco Limma (PT) abriu o evento com um discurso e agradeceu a todos os participantes presentes, e o apoio dos jornalistas Luiz Brandão e Oscar de Barros, proprietários dos portais Piauí Hoje e Pensar Piauí, respectivamente, que ajudaram na divulgação do evento.
"Eu acho que há tempo de falar e há tempo de ouvir. Hoje, nós estamos querendo mais ouvir, ouvir o Frei Betto, que ouve muita gente, que ouve o coração, que ouve o sentimento, que ouve o povo como um todo, que ouve os intelectuais. E que capta esses sentimentos e expressa através dos seus escritos para muita gente, além da sua experiência", disse Limma.
Durante o evento, Frei Betto também recebeu o Título de Cidadão Piauiense, honraria de autoria do deputado Limma. A programação do lançamento também inclui uma palestra ministrada pelo autor, com o tema "Religião e Política nos Tempos Atuais".
Quem é Frei Betto
Autor de 74 livros, editados no Brasil e no exterior, Frei Betto nasceu em Belo Horizonte (MG). Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia.
Frei Betto tem uma histórica ligação com à esquerda no Brasil. Foi um dos fundadores do PT e assessorou o presidente Lula nos primeiros anos de seu governo.
Ganhou em 1982 o Jabuti, principal prêmio literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, por seu livro de memórias Batismo de Sangue (Rocco).
Em 1982, foi eleito Intelectual do Ano pelos escritores filiados à União Brasileira de Escritores, que lhe deram o Prêmio Juca Pato por sua obra Fidel e a religião. Seu livro A noite em que Jesus nasceu (Editora Vozes) ganhou o prêmio de “Melhor Obra Infanto-Juvenil” de 1998, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 2005, o júri da Câmara Brasileira do Livro premiou-o mais uma vez, agora na categoria Crônicas e Contos, pela obra Típicos Tipos – perfis literários (Editora A Girafa). Em 2011, seu romance policial Hotel Brasil (Rocco) ficou entre as dez obras finalistas do Prêmio Jabuti, no quinto lugar. Em 2012, seu romance Minas do Ouro (Rocco) ficou entre os finalistas do Prêmio Portugal Telecom.