Geral

INCLUSÃO

Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça a importância da inclusão nas escolas

Especialista sugere estratégias para garantir acolhimento digno e eficaz aos estudantes autistas, principalmente na adolescência

Da Redação

Quarta - 02/04/2025 às 10:13



Foto: Agência Brasil/Reprodução O Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça a importância de práticas educacionais inclusivas
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça a importância de práticas educacionais inclusivas

Hoje, 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 com o objetivo de promover o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus direitos.

Em um contexto onde o direito à educação em escola regular está assegurado por lei, ainda se observa que a matrícula por si só não garante o acolhimento digno e eficaz dos estudantes autistas, sem atitudes capacitistas.

Carla K. Vasques, docente da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta que existem estratégias fundamentais para que escolas possam lidar de maneira mais inclusiva com estudantes com TEA, especialmente na adolescência. 

Ela detalha três práticas importantes para a inclusão de alunos autistas:

Entender que momentos de encontro são mais importantes que incluir
Entre os desafios enfrentados por educadores, está a inclusão de adolescentes com TEA no ensino médio, época em que grupos de amigos tendem a ser fechados. Carla Vasques sugere que, em vez de tentar inserir o estudante autista em grupos já formados, a solução é promover experiências de encontro que respeitem a diferença.

 “É preciso abandonar a ideia de inclusão como encaixe e apostar no fazer junto, viabilizando momentos em que os estudantes autistas possam interagir com os outros a partir de seus próprios interesses, ritmos e modos de vínculo", afirma a especialista. Ela alerta que a "inclusão forçada" parte da ideia equivocada de que o problema está no autista, e não na organização social e escolar, que muitas vezes não acolhe adequadamente esse público.

Lembrar que nem toda linguagem é verbal
A linguagem na adolescência, com suas gírias e piadas internas, pode ser desafiadora para os estudantes autistas, que podem ter uma relação diferente com as palavras. Carla enfatiza que a linguagem não é exclusivamente verbal e que a comunicação pode ser expressa através do corpo, olhar ou objetos.

O papel da escola não é ensinar o estudante autista a ‘falar como os outros’, mas ampliar o repertório coletivo para que diferentes formas de comunicação sejam acolhidas", afirma. Para ela, a literalidade associada ao autismo pode ser uma forma ética de operar com a linguagem, exigindo clareza em um mundo saturado de ruídos e mal-entendidos.

Construir um trabalho em conjunto
A colaboração entre escola, família e outros profissionais é essencial para garantir uma inclusão verdadeira. Carla K. Vasques defende que a escola não deve trabalhar isoladamente e que a rede de apoio deve incluir não apenas as famílias, mas também os profissionais que acompanham os estudantes. "Pais e profissionais não devem agir como meros informantes, mas como parceiros na construção das estratégias escolares", ressalta. O envolvimento coletivo é necessário para criar um ambiente de ensino mais inclusivo e respeitoso.

Fonte: Com informações da CNN

Siga nas redes sociais

Compartilhe essa notícia:

<