O curta-metragem documental Boi Romeiro, dirigido pela cineasta piauiense Milena Rocha, vai ser exibido durante a programação do 9º Festival Internacional de Cinema de Folclore, que será realizado de 15 a 20 de janeiro de 2026 em Kerala, na Índia. Com 20 minutos de duração, a obra já passou por festivais na França e na Espanha, e conquistou o prêmio de “Melhor Não-Ficção” no Short to the Point, na Romênia
O documentário acompanha o grupo Boi Mimo de Santa Cruz, tradicional brincante de bumba meu boi na Zona Sul de Teresina, na viagem até Santa Cruz dos Milagres, no Piauí. Tudo para cumprir a promessa feita pelo pai de Mestre Juninho: levar o boi ao santuário da cidade, terceira maior romaria do Nordeste.
Em entrevista ao Piauí Hoje, Milena Rocha explicou que o filme nasceu de um desejo pessoal e coletivo de registrar algo que ultrapassasse a simples documentação de uma tradição.
É uma criação artística toda envolvida com a religiosidade, com a fé, o luto... isso me chamou muita atenção quando eu os conheci o grupo.
Creditos: Ana Carla Falcão
Milena conta que sua história com a tradição vem desde a infância. Ela cresceu participando de romarias e como coroinha na igreja e diz que encontrar um grupo artístico que compartilhasse essa conexão foi fundamental para motivar a criação do filme. Segundo a cineasta, o projeto só foi possível graças ao trabalho voluntário e à cooperação familiar e comunitária. A logística foi feita junto com seu pai, a hospedagem ocorreu na casa da família, e o catering (serviço de alimentação e hospitalidade) foi preparado por sua mãe e uma amiga.
Segundo a produtora, o projeto também se estruturou a partir de uma coprodução entre realizadores locais. A ideia foi desenvolvida em diálogo com o produtor executivo Weslley Oliveira, sócio de Milena, e resultou na parceria com as produtoras Luz Negra e Alecrim Produtora, ambas de Teresina. A partir dessa articulação, a equipe passou a definir os períodos de gravação, o planejamento das filmagens e deslocamento junto ao grupo.
Foi um filme feito por pessoas que acreditaram na ideia e na importância do registro.
O processo de produção de Boi Romeiro combinou registro documental e construção narrativa. Grande parte das cenas foi gravada a partir de situações reais, acompanhando a rotina dos brincantes, a presença das crianças no entorno do grupo e as atividades realizadas na associação, sem encenação prévia. A proposta foi organizar cinematograficamente acontecimentos que já fazem parte do cotidiano do grupo, mantendo a espontaneidade das ações registradas.
O documentários tem legendas em inglês e espanhol, audiodescrição e interpretação em Libras, garantindo acessibilidade.
Creditos: Ana Carla Falcão
Potência cultural
A cineasta disse que tem boas expectativas em relação à recepção do documentário na Índia, apostando na capacidade da obra de tocar diferentes imaginários culturais.
Esse espaço também é simbólico do que é o boi para a Índia, o que é a vaca — esse espaço sagrado também é compartilhado. Acho muito legal quando uma obra consegue esse deslocamento.
Milena enfatizou que Boi Romeiro é um símbolo da identidade piauiense, que celebra memória, fé e tradição comunitária. Ela acredita que, com a circulação internacional em festivais, a obra pode ampliar os olhares sobre o interior do estado e gerar um movimento de valorização das tradições populares.
Ela conta que tem planos para produzir documentários sobre outras expressões culturais do Piauí, como reisado e São Gonçalo, que já estão em desenvolvimento ou em fase de captação.
Sou superfascinada com expressões artísticas, tradicionais, culturais que a gente tem no Piauí. E elas são espaços em que se compreende muito de onde a gente vem enquanto piauienses.
Segue abaixo o trailer Boi Romeiro, 2025 (Cocais Filmes).
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