O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, nesta terça-feira (31), que Geraldo Alckmin (PSB) será novamente candidato a vice-presidente em sua chapa para a disputa eleitoral deste ano.
O anúncio foi feito durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, em Brasília, marcando a oficialização da repetição da aliança que venceu as eleições de 2022.
Durante o encontro, Lula explicou que Alckmin precisará deixar o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para se adequar à legislação eleitoral.
O companheiro Alckmin que vai ter que deixar o MDIC. Ele vai ter que deixar porque ele será candidato a vice-presidente da República outra vez.
A legislação brasileira determina que ocupantes de cargos no Executivo se desincompatibilizem até 4 de abril para disputar eleições, com exceção apenas para os cargos de presidente e vice-presidente. A reunião também evidenciou uma reformulação no governo federal: pelo menos 14 ministros devem deixar seus cargos para concorrer nas eleições de outubro, enquanto outros nomes ainda devem formalizar a saída nos próximos dias.
A decisão reforça a manutenção da parceria política entre Lula e Alckmin, consolidada na eleição anterior e agora reeditada para a tentativa de reeleição em 2026.
Quem é Gerald Alckmin?
Geraldo Alckmin nasceu em 7 de novembro de 1952, em Pindamonhangaba. Médico de formação, também atuou como professor universitário antes de consolidar uma longa carreira na política brasileira.
Atualmente, é vice-presidente do Brasil e também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços desde 1º de janeiro de 2023, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Desde junho de 2025, ocupa ainda a vice-presidência nacional do Partido Socialista Brasileiro.
Trajetória política
Alckmin construiu sua carreira principalmente em São Paulo, onde teve forte projeção:
- Foi governador de São Paulo por quatro mandatos (2001–2006 e 2011–2018)
- Tornou-se o governador mais longevo do estado após a redemocratização
- Também foi vice-governador, deputado estadual e federal ao longo da carreira
Sua gestão ficou marcada por foco em infraestrutura, transporte e ajuste fiscal, além de investimentos em áreas como saúde e educação.
Posicionamento político e história
Ao longo de sua trajetória, Alckmin passou por uma reconfiguração ideológica. Durante décadas, foi um dos principais nomes do Partido da Social Democracia Brasileira, período em que esteve associado ao campo de centro-direita e defendeu políticas econômicas mais liberais, com ênfase na responsabilidade fiscal e na gestão eficiente do Estado.
Entre os pontos mais relevantes da trajetória, destacam-se:
- Gestão em São Paulo: expansão de rodovias, metrô e programas de saúde
- Candidato à presidência: disputou o cargo em 2006 e 2018
- Aliança histórica em 2022: deixou antigos adversários para integrar a chapa vencedora com Lula
- Atuação no governo federal: à frente da política industrial e comercial, buscando reindustrialização e atração de investimentos
Aproximação com Lula
A aproximação entre Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva começou a se desenhar no fim de 2021, em um contexto de forte polarização política no país e de articulações para as eleições de 2022. Antigos adversários — já que disputaram diretamente a Presidência em 2006 —, os dois passaram a dialogar com o objetivo de formar uma frente ampla capaz de atrair diferentes setores da sociedade.
As conversas foram intermediadas por lideranças políticas e empresariais que defendiam uma candidatura mais moderada. Nesse processo, Alckmin deixou o Partido da Social Democracia Brasileira após mais de três décadas e se filiou ao Partido Socialista Brasileiro em março de 2022, movimento que viabilizou sua indicação como vice na chapa de Lula.
A aliança foi oficializada ainda em 2022 e marcou uma reconfiguração importante no cenário político brasileiro, unindo campos historicamente opostos. Para Lula, a presença de Alckmin ampliava o diálogo com o centro e o setor produtivo; para Alckmin, a composição representava uma estratégia de estabilidade institucional e reconstrução política após anos de tensão.
(*) Isabel Fonseca, estagiária de Jornalismo com supervisão dos jornalistas Gilson Rocha e Malu Barreto.
Fonte: G1
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