Polícia

FEMINICÍDIO

Feminicídios no Piauí tiveram aumento de 32% em 2024, diz levantamento do DATASSP

Dados apontam um crescimento nos casos de feminicídio e a vulnerabilidade das vítimas antes dos crimes

Dhara Leandro

Quarta - 02/04/2025 às 09:08



Foto: Reprodução Feminicídio
Feminicídio

Em 2024, o número de feminicídios no Piauí teve um aumento de 32% em relação ao ano anterior. Ao todo, foram contabilizados 56 casos no ano passado, enquanto em 2025, até março, já são 18 feminicídios confirmados, o que indica uma tendência de crescimento. Os dados são do DATASSP (Núcleo de Estudos Avançandos em Segurança Pública.

Os dados foram apresentados à Defensoria Pública do Estado pelo delegado João Marcelo Brasileiro de Aguiar, gerente da Gerência de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), durante uma reunião estratégica voltada à integração de dados sobre violência contra a mulher, com o objetivo de coibir feminicídios e fortalecer a Rede de Proteção à Mulher.

O levantamento da DATASSP aponta um crescimento nos casos de feminicídio e a vulnerabilidade das vítimas antes dos crimes.

Medidas protetivas

Além do aumento no número absoluto de casos, os dados revelam que a cada 100 mulheres vítimas de feminicídio, apenas 10 tinham medida protetiva. 87,85% das vítimas de feminicídio não haviam registrado boletim de ocorrência antes do crime. 73% dos feminicídios ocorreram dentro da residência da vítima. 68% das vítimas foram assassinadas pelo companheiro ou ex-companheiro.

OS números demonstram que a maioria das mulheres assassinadas não havia acionado os órgãos de proteção antes do crime, seja por medo, dependência financeira, falta de informação ou até descrença na efetividade das medidas disponíveis.

Integração de dados

Para o delegado João Marcelo, a integração de dados entre a Secretaria de Segurança Pública, a Defensoria Pública e outros órgãos será fundamental para a prevenção de novos casos.

"A ideia é fortalecer, através de inteligência e dados confiáveis, a atuação da Secretaria frente aos outros órgãos de proteção no estado. Precisamos garantir que essas mulheres tenham acesso rápido e eficaz às medidas de proteção e que os casos de violência sejam prevenidos antes de culminarem em tragédias irreversíveis", ressaltou.

O encontro também abordou a importância da ampliação das políticas públicas de proteção, como a implementação de monitoramento eletrônico para agressores, aumento da fiscalização de medidas protetivas e o fortalecimento das delegacias especializadas.

"Precisamos intensificar o compromisso  de conscientização e aprimorar o sistema de monitoramento, para que mais mulheres em situação de risco consigam denunciar e evitar que a violência chegue ao extremo do feminicídio", finalizou o delegado.

Fonte: SSP-PI

Siga nas redes sociais

Compartilhe essa notícia:

<