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MONITORAMENTO iNPE

Avanço de quase 10% do desmatamento na Caatinga expõe pressão sobre o semiárido

Bioma presente no Piauí e em outros estados do Nordeste sofre avanço da agropecuária e de empreendimentos de energia

Sábado - 10/01/2026 às 16:40



Foto: Especialistas alertam que o desmatamento da Caatinga gera riscos inclusive para o próprio agronegócio
Especialistas alertam que o desmatamento da Caatinga gera riscos inclusive para o próprio agronegócio

O desmatamento na Caatinga cresceu quase 10% entre 2023 e 2024, segundo dados consolidados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O bioma, presente em estados como o Piauí, foi um dos dois únicos do país a registrar aumento na supressão de vegetação nativa no período, ao lado do Pantanal. O avanço foi de 9,93%, o que representa a perda adicional de 3.484,37 quilômetros quadrados de cobertura vegetal, reforçando o alerta sobre a pressão crescente sobre uma região já marcada pela escassez hídrica.

Dados oficiais e de monitoramento independente indicam que a expansão do agronegócio é o principal vetor desse processo. Levantamentos do MapBiomas mostram que mais de 97% da perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos anos está associada à agropecuária. Na Caatinga, essa pressão ocorre sobretudo pela abertura de áreas para pastagens extensivas e, em regiões onde há expansão da fruticultura irrigada, atividade presente em polos produtivos do Piauí e da Bahia.

O avanço do desmatamento foi de 9,93% ou 3.484,37 quilômetros quadrados de cobertura vegetal

Além da pecuária, outros vetores vêm ganhando peso. A instalação de grandes empreendimentos de infraestrutura, especialmente de energia renovável, também tem contribuído para a supressão vegetal. Dados do MapBiomas indicam que cerca de 93% do desmatamento associado a parques eólicos e solares no Brasil desde 2019 ocorreu na Caatinga. Embora se tratem de fontes de energia consideradas limpas, a retirada da vegetação para a implantação desses projetos provoca impactos diretos sobre a biodiversidade e o equilíbrio do solo.

A região do Matopiba — fronteira agrícola que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — concentra parte relevante dessa pressão, com avanço da agricultura de larga escala sobre áreas de vegetação nativa. No Piauí, esse movimento tem se intensificado em municípios situados na transição entre Cerrado e Caatinga, onde a expansão produtiva ocorre de forma acelerada.

A cobertura vegetal da Caatinga está perdendo espaço para áreas de pastagens extensivas

Especialistas alertam que o desmatamento da Caatinga gera riscos inclusive para o próprio agronegócio. A perda da cobertura vegetal reduz a infiltração de água no solo, agrava a seca e compromete a segurança hídrica necessária para a irrigação. Além disso, a retirada da vegetação acelera processos de degradação e desertificação, podendo tornar áreas improdutivas de forma permanente.

Apesar do avanço na Caatinga, o balanço geral do Prodes aponta redução do desmatamento na maioria dos biomas brasileiros em 2024. Houve queda na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica, no Pampa e em áreas não florestais da Amazônia, com destaque para a Mata Atlântica, que registrou redução de 37,89%.

Segundo o Inpe, a consolidação dos dados permite avaliar tendências de médio e longo prazo e orientar políticas públicas ambientais. 

Fonte: Agência Brasil

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