A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (17), uma operação para investigar o vazamento de dados fiscais sigilosos de autoridades e seus familiares. No centro das investigações está a quebra indevida do sigilo de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e do filho de outro magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os quatro mandados de busca e apreensão, autorizados pelo próprio ministro Moraes após solicitação da PGR, foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A suspeita principal é de que as informações tenham sido acessadas por um servidor do Serpro cedido à Receita Federal.
Os investigadores buscam saber, por exemplo, se funcionários da Receita quebraram ilegalmente sigilo de ministros do Supremo e de parentes deles sem aval. Ainda segundo a PF, além das buscas, foram determinadas medidas cautelares. Entre elas, estão: monitoramento por tornozeleira eletrônica; afastamento do exercício de função pública; cancelamento de passaportes; e proibição de saída do país.
Prédios da Receita não foram alvo da ação dos policiais. Também não foram cumpridos mandados de prisão nesta terça. Ainda não há detalhes sobre os dados vazados e nome das pessoas envolvidas.
Conexão com o Inquérito das Fake News
A investigação foi integrada ao Inquérito 4.781 (Fake News), que apura ataques coordenados ao STF. O foco agora é descobrir se esses dados foram "encomendados" para venda a terceiros ou para alimentar campanhas de desinformação.
Moraes também busca a origem de vazamentos que associam seu nome e o de sua esposa a contratos com o Banco Master. Recentemente, a contratação do escritório de Viviane pelo banco por R$ 129 milhões gerou questionamentos no meio jurídico, e o ministro quer entender se os acessos ilegais aos dados fiscais foram usados para municiar essas publicações.
Um relatório detalhado da Receita Federal, rastreando acessos a todos os 10 ministros e seus parentes, deve ser entregue logo após o Carnaval.
Fonte: Metrópoles e g1