O Porto Piauí entra em 2026 na fase decisiva para começar a operar no comércio internacional. Segundo o presidente da Companhia Porto Piauí, Raimundo Dias, o foco este ano está na conclusão do processo de alfandegamento, etapa necessária para que o terminal seja autorizado pela Receita Federal a realizar operações de importação e exportação. A expectativa é que uma inspeção técnica ocorra ainda no primeiro semestre, abrindo caminho para a emissão da autorização oficial.
O minério de ferro seria a carga prioritária no Porto
Com o alfandegamento, o minério de ferro seria a carga prioritária. Também estão previstas para este ano a instalação das plataformas de movimentação de cargas, a continuidade das obras do Terminal Pesqueiro, a implantação da subestação de energia do complexo e a conclusão da sinalização do canal de navegação, que orienta a entrada e saída segura das embarcações.
Outro ponto considerado estratégico é o início das ações de revitalização do Rio Parnaíba, fundamentais para viabilizar a futura hidrovia. A proposta é transformar o rio em uma rota permanente para o transporte de cargas, ampliando a integração logística do estado e reduzindo a dependência do transporte rodoviário.
O projeto do Porto Piauí soma mais de R$ 7 bilhões em investimentos previstos até 2030, incluindo recursos públicos e privados. A expectativa do governo é que a nova estrutura reduza custos de transporte, fortaleça cadeias produtivas, gere empregos e amplie a participação do estado no comércio exterior.
Este ano será instalada as plataformas de movimentação de cargas
A mineração deve liderar as primeiras operações. A empresa Lion Mining firmou contrato para escoar sua produção pelo terminal. A previsão é exportar cerca de 1 milhão de toneladas de minério de ferro extraído em Piripiri ainda este ano, com destino a países como China, México e Estados Unidos. Esse volume pode dobrar em 2027.
Para viabilizar a operação será utilizado o sistema de transbordo, conhecido no setor como transhipment. Nesse modelo, a carga é levada por embarcações menores até navios de grande porte ancorados em área mais profunda no mar, onde ocorre a transferência do material. Estão previstos R$ 9,5 milhões em investimentos iniciais em infraestrutura, incluindo a instalação de um galpão inflável com capacidade para armazenar até 200 mil toneladas de minério. Atualmente, o Piauí ocupa a sexta posição entre os maiores exportadores de minério de ferro do país.
Além da mineração, o agronegócio é apontado como outro setor estratégico
Além da mineração, o agronegócio é apontado como outro setor estratégico. A revitalização do Rio Parnaíba deve receber cerca de R$ 1 bilhão em recursos oriundos da privatização da Eletrobras. O projeto prevê intervenções em mais de 900 quilômetros do leito do rio para garantir condições seguras de navegação.
Quando estiver plenamente operando, a hidrovia poderá permitir a circulação de comboios de barcaças com capacidade para transportar até 2,1 mil toneladas de grãos por viagem, o equivalente a cerca de 50 caminhões. A estimativa é escoar entre 4 e 5 milhões de toneladas de soja e milho por ano em até três anos após a implantação. A União já transferiu a gestão da hidrovia para o estado, que passa a ser responsável pela administração e manutenção do sistema.
A movimentação prevista não se limita a cargas a granel, como minério e grãos. O governo estadual firmou parceria com o grupo paulista CNaga Armazéns Gerais, que deve investir mais de R$ 100 milhões na construção de um terminal para cargas gerais conteinerizadas, aquelas transportadas em contêineres metálicos padronizados, usados para mercadorias industrializadas e produtos diversos.
Fonte: Governo do Estado
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