A redução de contestações relacionadas à apuração dos votos é um dos principais indicadores de credibilidade da urna eletrônica ao completar 30 anos de uso no Brasil. Segundo a diretora-geral do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), Silvani Maia, o debate jurídico deixou de girar em torno da interpretação do voto para se concentrar na conduta dos candidatos durante a campanha. De acordo com ela, antes da informatização, as eleições eram marcadas por longas discussões judiciais sobre a validade de votos registrados em cédulas de papel.
Ela lembra que, antes, discutia-se número por número, letra por letra, o que gerava uma pilhas de processos e atrasava o resultado das eleições. “Os recursos que hoje existem não discutem mais o voto em si, mas a conduta do candidato, como casos de abuso de poder econômico ou compra de votos”, afirmou.
Silvani Maia ressalta que, com a urna eletrônica, não discute mais o voto em si, mas a conduta do candidato
A urna eletrônica começou a ser utilizada em 1996, inicialmente nas capitais e em municípios com mais de 50 mil eleitores. No Piauí, a primeira experiência ocorreu em Teresina. Em 2000, o sistema passou a ser adotado em todos os 224 municípios do estado. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil foi o primeiro país a informatizar integralmente a votação e a apuração em âmbito nacional.
Com 45 anos de atuação na Justiça Eleitoral, Silvani Maia acompanhou a transição do modelo manual para o eletrônico. Para ela, o marco mais significativo foi encerrar eleições sem questionamentos sobre a validade do voto. “O voto dado é o voto apurado. A vontade do eleitor é a que aparece no boletim de urna”, afirmou.
Ao longo de três décadas, o equipamento passou por aperfeiçoamentos sucessivos
Ao longo de três décadas, o equipamento passou por aperfeiçoamentos sucessivos. A primeira versão já adotava teclado numérico semelhante ao dos antigos telefones públicos, facilitando o uso por eleitores com pouca familiaridade tecnológica. Em 2000, foram incorporados recursos de acessibilidade, como fone de ouvido e teclado em braile.
Para as próximas eleições, os modelos mais recentes, adotados a partir de 2024 e utilizados no pleito de 2026, contam também com tela com tradutor de Libras, ampliando o acesso de eleitores com deficiência auditiva. A identificação do eleitorado por biometria e reconhecimento facial também integra o processo de modernização, reforçando a segurança na habilitação para o voto.
Desde 1996, já foram realizadas 16 eleições com uso da urna eletrônica, entre pleitos municipais e gerais. Para a diretora-geral do TRE-PI, o sistema segue em aperfeiçoamento constante e conquistou a confiança na apuração. “Hoje a discussão não é mais sobre o voto. É sobre proteger a vontade livre do eleitor”, concluiu.
O modelo brasileiro de urna eletrônica permite diversas etapas de auditoria
Antes da urna eletrônica, o processo era manual. As cédulas de papel exigiam contagem voto a voto, sujeita a erros humanos, fraudes e demora na divulgação dos resultados. A informatização reduziu drasticamente o tempo de apuração e praticamente eliminou episódios como votos rasurados ou anulados por falhas no preenchimento.
Segundo Silvani Maia, além da rapidez, o sistema fortaleceu a confiabilidade. “O modelo brasileiro permite diversas etapas de auditoria. Há fiscalização dos partidos, do Ministério Público e da sociedade. O processo é público e verificável”, explica.
A informatização reduziu tempo de apuração e episódios como votos rasurados ou anulados (Foto: arquivo TRE-PI)
Antes da urna eletrônica, o processo era manual. As cédulas de papel exigiam contagem voto a voto, sujeita a erros humanos, fraudes e demora na divulgação dos resultados. A informatização reduziu drasticamente o tempo de apuração e praticamente eliminou episódios como votos rasurados ou anulados por falhas no preenchimento.
Segundo Silvani Maia, além da rapidez, o sistema fortaleceu a confiabilidade. “O modelo brasileiro permite diversas etapas de auditoria. Há fiscalização dos partidos, do Ministério Público e da sociedade. O processo é público e verificável”, explica.
Mais conteúdo sobre:
#apuração #credibilidade #urna eletrônica #Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) #Silvani Maia #30 anos #Brasil