O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a fazer críticas às condições em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. Após visita ao pai nesta quinta-feira (15), Flávio afirmou que as circunstâncias da custódia configuram “técnica de tortura”, agravando um quadro de desgaste físico e emocional que, segundo ele, se estende desde a prisão do ex-chefe de Estado após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma trama para tentar reverter o resultado da eleição de 2022. O ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado e organização criminosa — acusações que culminaram em sua detenção em novembro de 2025.
"Técnicas de Tortura" e Ambiente de Detenção
Em declarações a jornalistas, o senador destacou dificuldades enfrentadas por Jair Bolsonaro, incluindo um quadro persistente de soluços e efeitos colaterais de medicamentos, além de reclamações com o ambiente em que o ex-presidente permanece durante o dia. Flávio citou especificamente o ruído constante do sistema de ar-condicionado da cela — que, segundo ele, se estende por até doze horas diárias — como um fator que compromete o bem-estar do pai. Para o congressista, a situação beira a tortura, por isso a definição usada em sua fala pública.
Flávio também destacou que a defesa aguarda uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre novo pedido de prisão domiciliar com caráter humanitário, em razão do estado de saúde de Bolsonaro.
Foto: Danandra Rocha/CB/DA.Press)Repercussão Política e Estratégia Eleitoral
O senador não se restringiu somente às críticas à custódia. Em entrevista coletiva, ele também comentou os resultados da pesquisa Quaest, que apontam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenários de segundo turno nas eleições de 2026, e tentou contrapor esses números com levantamentos internos do seu grupo político, que, segundo ele, mostram crescimento de sua própria pré-candidatura.
Questionado sobre a polêmica envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio procurou minimizar qualquer racha na direita, afirmando que não enxerga o episódio como indicador de divisão e reforçando a ideia de união contra o que chama de “oposição”. O político declara que o advsersário não está dentro da direita, mas no atual governo.
Foto: Zanone Fraissat / FolhapressNarrativa de Perseguição
O discurso de Flávio Bolsonaro se insere em uma sequência de manifestações públicas de apoio ao ex-presidente por membros da família. Em uma carta divulgada no início da semana, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) descreveu a prisão de Jair Bolsonaro como uma combinação de “perseguição, tortura e imoralidade”, afirmando que há uma tentativa “metódica de esgotá-lo por dentro” e de afastá-lo de seus entes queridos.
A narrativa da família e de aliados políticos é fortemente marcada pela crítica ao tratamento dado ao ex-presidente, com apelos públicos por uma revisão do regime de prisão ou concessão de prisão domiciliar humanitária, especialmente diante dos sintomas físicos relatados por Flávio e de eventos anteriores em que o senador chegou a classificar o tratamento como “desumano”.
Panorama
A prisão de Jair Bolsonaro após a tentativa de golpe de Estado continua sendo usada politicamente por seus aliados para mobilizar bases eleitorais e pressionar o sistema de Justiça. As declarações mais recentes de Flávio Bolsonaro, ao caracterizar o ambiente de detenção como “técnica de tortura”, sinalizam uma intensificação da retórica no campo político, com foco tanto na defesa do ex-presidente quanto na construção de uma narrativa de antagonismo em relação ao atual governo e ao Judiciário.
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