Após mais de 26 anos de negociações, os países da União Europeia (UE) e do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, avançaram nesta sexta-feira (9) rumo à formalização de um dos maiores acordos comerciais da história entre as Américas e a Europa. Em reunião do Conselho da UE em Bruxelas, 21 dos 27 países membros votaram a favor do pacto, com cinco votos contrários e uma abstenção, abrindo caminho para a assinatura oficial marcada para 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai.
A aprovação foi destacada como um marco de cooperação internacional por autoridades europeias. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o acordo representa um reforço à “soberania e autonomia estratégica” da União Europeia, ao ampliar parcerias comerciais em um cenário internacional marcado por instabilidades e disputas geopolíticas. Para ele, a aproximação com o Mercosul contribui para enfrentar desafios econômicos globais por meio do diálogo e do multilateralismo. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que aguarda com otimismo a assinatura do tratado, classificando o avanço como “uma prova da resistência e da força da relação entre a União Europeia e a América Latina”, além de um sinal de confiança mútua entre os dois blocos.
Do lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a decisão europeia e classificou o avanço como um marco diplomático. Em manifestação nas redes sociais, Lula afirmou que se trata de um “dia histórico para o multilateralismo”, destacando que, após 25 anos de negociações, foi aprovado “um dos maiores tratados de livre comércio do mundo”. Segundo o presidente, a decisão une dois blocos que somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões, além de representar uma resposta ao cenário global de protecionismo. Lula também ressaltou que o texto amplia alternativas para exportações brasileiras, estimula investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais, classificando o resultado como uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos.
O que Muda para Brasil e Consumidores
O acordo prevê a criação de uma zona de livre comércio abrangente, com a eliminação gradual de tarifas de importação em diversos setores, o que pode reduzir custos de produtos importados no Brasil ao longo do tempo. Entre os itens que podem sofrer redução de preço estão alimentos, vinhos europeus e manufaturados de maior valor agregado – potencialmente ampliando opções ao consumidor brasileiro no longo prazo.
Segundo especialistas, essa redução tarifária será feita de maneira escalonada, obedecendo a cronogramas específicos de setores econômicos, o que significa que os efeitos sobre preços e comércio não serão imediatos.
Próximas Etapas e Contexto Global
Apesar da aprovação pelos países da UE, o acordo ainda não é definitivo. Ele precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos nacionais de cada estado-membro, além de ser oficialmente assinado pelos países do Mercosul. Esse processo legislativo pode levar meses ou até anos, com debates decorrentes sobre questões ambientais, padrões sanitários e proteção de setores vulneráveis à concorrência internacional.
O pacto Mercosul-UE não apenas representa um avanço econômico bilateral, mas também um sinal de que blocos econômicos buscam diversificação de parcerias diante de um cenário global de tensões comerciais e pressões protecionistas. A parceria abrange um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado equivalente a trilhões de dólares, o que o torna uma peça chave na dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.
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