A rápida escalada da obesidade na China tem impulsionado o surgimento das chamadas “prisões para obesos”, campos de treinamento de estilo militar voltados à perda acelerada de peso. Embora a adesão seja voluntária, os participantes enfrentam dietas rígidas, rotinas intensas de exercícios e vigilância constante, que dificulta desistências durante a estadia, geralmente de um mês.
De acordo com o New York Post, dados oficiais indicam que o número de crianças obesas quadruplicou desde 2000 e que mais da metade dos adultos chineses está acima do peso. Com a maior população do mundo, a China concentra hoje o maior contingente global de pessoas com sobrepeso ou obesidade. Para responder ao problema, um setor de bootcamps privados e governamentais se expandiu nos últimos anos: já são mais de mil instalações, muitas adaptadas de antigas escolas e dormitórios.
Número de crianças obesas quadruplicou desde 2000 e mais da metade dos adultos chineses está acima do peso
Rotina rígida e resultados rápidos
Dentro desses centros, as regras são estritas. As áreas são cercadas, com portões de aço e segurança permanente. Há programas mais curtos, de duas semanas, mas os treinadores recomendam 28 dias, sob o argumento de melhores resultados. Muitos aceitam estrangeiros e não exigem fluência em mandarim ou cantonês.
Um raro relato veio da australiana conhecida como Egg Eats, que compartilhou a experiência com cerca de 50 mil seguidores no Instagram. Aos 28 anos, ela documentou dias marcados por despertadores às 7h30, pesagens diárias e horas de spinning, boxe e HIIT. Segundo a influenciadora, foram 2,25 kg perdidos na primeira semana e 4 kg em 14 dias.
O programa custou US$ 1.500 e incluiu quatro horas diárias de exercícios, com 19 aulas por semana. As refeições, servidas em porções controladas, reproduzem a comida chinesa cotidiana; petiscos são proibidos e alimentos escondidos são confiscados em inspeções nos dormitórios. Apesar do rigor, Egg Eats afirmou não se arrepender da escolha. O modelo, no entanto, é alvo de críticas.
Morte reacende controvérsia
Em 2023, a influenciadora chinesa Cuihua, de 21 anos, morreu após participar de campos de emagrecimento no norte do país. Pesando 156 kg, ela havia perdido mais de 27 kg em dois meses e compartilhava a jornada no Douyin, plataforma equivalente ao TikTok. A morte reacendeu o debate sobre os riscos de programas extremos.
Especialistas defendem maior regulação. Para o professor associado Pan Wang, da Universidade de Nova Gales do Sul, o governo deveria monitorar dietas e exercícios potencialmente perigosos. “A indústria da beleza está em plena expansão, e a magreza virou uma forma de capital social”, afirmou, segundo o NY Post. “Empresas como esses acampamentos lucram com isso.”
As causas da epidemia incluem aumento da renda, maior consumo de alimentos calóricos e frituras, além de estilos de vida mais sedentários e estressantes. Em 2024, o governo chinês lançou uma campanha de três anos contra a obesidade, com metas para reduzir gordura, açúcar e sal nas cantinas escolares e estimular atividade física no trabalho. Pelo plano, alunos do ensino fundamental devem cumprir ao menos duas horas diárias de exercícios.
Fonte: O Globo
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