Saúde

WNSAIOS CLÍNICOS

Pessoas que param canetas emagrecedoras recuperam peso mais rápido, diz estudo

Quem opta por dieta perde menos peso do que com as injeções, mas a recuperação posterior ocorre de forma mais lenta, cerca de 0,1 kg por mês

Quinta - 08/01/2026 às 17:43



Foto: Especialistas afirmam que o tratamento deve ser considerado para toda a vida, diante do risco de recaída
Especialistas afirmam que o tratamento deve ser considerado para toda a vida, diante do risco de recaída

Pessoas que interrompem o uso de canetas emagrecedoras, como Mounjaro ou Wegovy, podem recuperar os quilos perdidos até quatro vezes mais rápido do que aquelas que abandonam dietas convencionais e exercícios físicos, sugere uma nova pesquisa. Dados publicados na revista científica britânica British Medical Journal indicam que pessoas com sobrepeso perdem grandes quantidades de peso ao usar as injeções, cerca de um quinto do peso corporal, mas, após a interrupção do tratamento, recuperam em média 0,8 kg por mês.

Isso significa que elas retornam ao peso anterior ao tratamento em cerca de um ano e meio. "As pessoas que compram esses medicamentos precisam estar cientes do risco de rápida recuperação de peso quando o tratamento termina", alertou a pesquisadora Susan Jebb, da Universidade de Oxford (Reino Unido). Jebb ressaltou que os resultados se baseiam em ensaios clínicos, e não em situações da vida real, e que mais estudos sobre os efeitos de longo prazo das novas injeções para emagrecimento são necessários.

Os pesquisadores analisaram 37 estudos, com mais de 9 mil pacientes, para comparar as chamadas "canetas emagrecedoras" para perda de peso com dietas convencionais ou outros medicamentos. Apenas 8 dos 37 estudos avaliaram tratamentos com os novos medicamentos GLP-1, como Wegovy (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida). O período máximo de acompanhamento nesses estudos foi de um ano após a interrupção da medicação, de modo que os números são estimativas.

Que compra as canetas precisa estar cientes do risco de rápida recuperação de peso quando o tratamento termina

Segundo os pesquisadores, quem opta apenas por dieta tende a perder menos peso do que com as injeções, mas a recuperação posterior ocorre de forma mais lenta, cerca de 0,1 kg por mês, embora haja variações. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) recomenda essas injeções (por meio de canetas) para pessoas com excesso de peso associado a riscos de saúde relacionados à obesidade, e não para quem deseja apenas emagrecer um pouco.

Os médicos em geral prescrevem mudanças de estilo de vida, incluindo alimentação saudável e prática de exercícios físicos para ajudar as pessoas a manter o peso perdido. Muitos especialistas afirmam que o tratamento deve ser considerado para toda a vida, diante do risco de recaída.

No Brasil, quatro doses de Mounjaro de 2,5 mg, a dose mais baixa, estão à venda nas farmácias por cerca de R$ 1.400. Ou seja, continuar o tratamento por um longo período também não é barato. Então, o que acontece quando você tenta parar? As pessoas que tentaram interromper o uso das injeções relatam a experiência como "um interruptor que liga e você fica instantaneamente faminto".

Uma mulher disse: "Foi como se algo se abrisse na minha mente e dissesse: 'Coma tudo, vá em frente, você merece, porque não come nada há muito tempo'." Segundo Adam Collins, especialista em nutrição da Universidade de Surrey (Reino Unido), a forma como essas injeções atuam no cérebro e no corpo pode explicar por que a recuperação de peso se intensifica após a interrupção do tratamento.

Elas imitam um hormônio natural chamado GLP-1, que regula a fome. "Fornecer artificialmente níveis de GLP-1 várias vezes acima do normal por um período prolongado pode fazer com que o organismo produza menos do seu próprio GLP-1 e também se torne menos sensível aos seus efeitos. Isso não é um problema enquanto [a pessoa] está usando os medicamentos, mas, assim que esse 'reforço' de GLP-1 é retirado, o apetite deixa de ser controlado e a probabilidade de comer em excesso aumenta muito."

Médicos em geral prescrevem alimentação saudável e exercícios físicos para ajudar as pessoas a manter o peso perdido

Parar abruptamente, diz Collins, é um grande desafio. "Isso se agrava ainda mais quando a pessoa depende exclusivamente do GLP-1 para fazer o trabalho pesado… suprimindo artificialmente o apetite sem estabelecer mudanças alimentares ou comportamentais que ajudem no longo prazo." Segundo as estimativas mais recentes, cerca de 1,6 milhão de adultos no Reino Unido usaram essas injeções no último ano, em sua maioria adquiridas por meio de prescrições privadas, e não pelo sistema público de saúde (o NHS).

Outras 3,3 milhões de pessoas afirmam ter interesse em usar as chamadas "injeções para emagrecer" no próximo ano, o que significa que 1 em cada 10 adultos no país já usou ou gostaria de usar esses medicamentos, segundo a entidade beneficente Cancer Research UK, com base em pesquisas nacionais representativas realizadas no primeiro trimestre de 2025. O uso foi duas vezes mais comum entre mulheres do que entre homens e mais frequente entre pessoas na faixa dos 40 e 50 anos.

Fonte: BBC Brasil

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