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TENSÃO INTERNACIONAL

Políticas de imigração dos EUA podem impedir atletas de disputar a Copa 2026

Atletas que viajaram para Cuba podem enfrentar barreiras para entrar nos EUA; o brasileiro Hugo Calderano já foi impedido de competir

Da Redação

Quarta - 25/02/2026 às 08:48



Foto: Divulgação/Adidas Trionda é a bola oficial da Copa do Mundo 2026
Trionda é a bola oficial da Copa do Mundo 2026

A abertura da Copa do Mundo FIFA de 2026 está marcada para o dia 11 de junho deste ano, e os Estados Unidos — principal sede do torneio — podem enfrentar questionamentos envolvendo regras anti-imigratórias que impactam atletas estrangeiros.

Embora não exista uma proibição generalizada contra jogadores de seleções específicas, as normas de imigração americanas incluem restrições que podem complicar a entrada de determinados viajantes, principalmente em casos que envolvem histórico recente de viagens a países considerados sensíveis pelo governo dos EUA.

Hugo Calderano não competiu após visitar Cuba

A discussão ganhou força após o episódio envolvendo o mesa-tenista brasileiro Hugo Calderano, que não conseguiu disputar uma competição em território americano após ter visitado Cuba anteriormente. O atleta atingiu a 2ª posição no ranking mundial de tênis de mesa, sendo internacionalmente conhecido.

Calderano tentou ingressar nos EUA utilizando o sistema eletrônico de autorização de viagem (ESTA), mas teve o pedido negado devido às regras que restringem o uso do programa para pessoas que estiveram em Cuba após janeiro de 2021. Como não houve tempo hábil para emissão de um visto tradicional, ele acabou ficando fora da competição.

O caso expôs como exigências migratórias podem interferir diretamente no calendário esportivo internacional.

Hugo Calderano foi campeão da Copa do Mundo de tênis de mesa em 2025 (Foto: Divulgação/ ITTF)

Preocupação global com políticas de imigração e imagem dos EUA

Não são apenas atletas que estão atentos às normas de entrada dos Estados Unidos — governos e organizações em diversas partes do mundo atualizaram avisos para seus cidadãos sobre as exigências americanas, destacando regras de imigração mais rígidas, maior fiscalização e potenciais dificuldades no momento da entrada. Países como Reino Unido, França, Alemanha, Dinamarca e Finlândia revisaram seus conselhos de viagem, alertando sobre a necessidade de entender plenamente as exigências de visto e os riscos de não cumprir as regras migratórias americanas antes de embarcar para os EUA.

Ao mesmo tempo, episódios de violência envolvendo agentes federais de imigração contribuíram para que parte da opinião pública e de autoridades estrangeiras passe a ver os Estados Unidos como um país com políticas de imigração duras e, em alguns momentos, marcadas por confrontos civis. Em janeiro de 2026, uma mãe de 37 anos foi morta a tiros por um agente do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) durante uma operação de fiscalização em Minneapolis, Minnesota, gerando protestos na cidade e debates sobre o uso da força por parte das autoridades.

 A morte da vítima — cujo caso é objeto de investigação e contestação — intensificou o debate sobre a conduta de agentes de imigração e reforçou a percepção de que a aplicação das políticas migratórias nos EUA tem sido marcada por episódios controversos e violentos, alimentando preocupações sobre segurança e direitos civis dos atletas.

Países que impedem o uso do ESTA

Atualmente, viajantes que tenham passado por determinados países perdem o direito de utilizar o ESTA e precisam solicitar visto tradicional em consulado. A regra vale para visitas recentes a:

  • Cuba

  • Irã

  • Iraque

  • Síria

  • Sudão

  • Coreia do Norte

  • Líbia

  • Somália

  • Iêmen

Nesses casos, o viajante não está automaticamente proibido de entrar nos Estados Unidos, mas precisa passar por entrevista consular e análise individual, o que pode gerar atrasos.

Além de países visitados, há 18 nacionalidades sob proibição total de entrada

Além das nações que impedem o uso do ESTA caso o viajante tenha passado por elas — como Cuba, Irã ou Síria — existem atualmente 18 países cujos cidadãos enfrentam proibição total ou severamente ampliada para emissão de vistos aos Estados Unidos.

Nesses casos, a restrição não depende de ter visitado o país, mas sim de ter cidadania da nação listada, o que torna o processo de entrada muito mais difícil e sujeito a exceções diplomáticas.

Os 18 países com restrição mais rígida são: Afeganistão, Burkina Faso, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Mali, Mianmar, Níger, Serra Leoa, Somália, Sudão, Sudão do Sul, Síria e Iêmen.

Entre as seleções classificadas, apenas Haiti e Irã estão incluídos em listas de restrições migratórias mais rígidas impostas pelos Estados Unidos. Caso disputem partidas em solo americano durante a Copa do Mundo FIFA de 2026, a participação de atletas dependerá de autorizações diplomáticas e emissão de vistos específicos, como já ocorreu em competições internacionais anteriores.

Imagem dos grupos da Copa do Mundo 2026 após sorteio da Fifa - NIYI FOTE/ESTADÃO CONTEÚDO

Atletas precisam de visto específico

Jogadores que disputarão a Copa normalmente entram com vistos específicos para competição esportiva, como as categorias P-1 ou O-1, destinadas a atletas profissionais reconhecidos internacionalmente. Ainda assim, o processo depende de aprovação consular e da análise final das autoridades migratórias.

Mesmo com visto concedido, a admissão no país é determinada no aeroporto pela U.S. Customs and Border Protection. Já dentro do território americano, a fiscalização do cumprimento das regras migratórias fica sob responsabilidade do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE).

Especialistas apontam que inconsistências documentais ou pendências administrativas podem resultar em entrevistas adicionais, retenção temporária ou até recusa de entrada — embora esses casos não sejam automáticos.

Impacto na Copa

Com partidas concentradas em solo americano, todas as delegações precisarão cumprir rigorosamente os trâmites exigidos. A expectativa é que federações antecipem a documentação para evitar imprevistos.

A realização de um evento global como a Copa do Mundo envolve negociações diplomáticas para garantir a presença das seleções classificadas. Ainda assim, episódios recentes mostram que regras migratórias podem, em circunstâncias específicas, interferir no esporte.

Protestos contra o ICE e violência policial.     Foto: Tayfun Coskun/ Anadolu via Getty Images

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