O delegado Tales Gomes, da Diretoria de Operações Policiais da Polícia Civil do Piauí, divulgou nas redes sociais a imagem do homem suspeito de vandalizar a estátua de Iemanjá localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina. O nome do investigado ainda não foi revelado pelas autoridades.
Na publicação, o delegado também disponibilizou um número de telefone para receber denúncias: (86) 99991-0455.
Suspeito de vandalizar estátua de Iemanjá | Foto: reprodução/instagram
A Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) orienta que qualquer informação que possa contribuir para a identificação do suspeito seja repassada de forma anônima por meio do serviço B.O. Fácil. As informações também podem ser enviadas pelo canal oficial no WhatsApp, pelo número 0800 086 0190.
O caso
A depredação ocorreu no domingo (1º), poucas horas antes das celebrações do Dia de Iemanjá, tradicionalmente realizadas em 2 de fevereiro pelas religiões de matriz africana. Durante a ação, o vidro que protege o monumento foi quebrado e a escultura teve parte da mão danificada, o que gerou revolta entre praticantes das religiões afro-brasileiras e lideranças religiosas da capital.
Estátua de Iemanjá depredada | Foto: reprodução
O caso foi comunicado às autoridades e está sob investigação da Polícia Civil. A apuração está sendo conduzida pela Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos e é tratada como crime de intolerância religiosa.
Para representantes das comunidades tradicionais, o episódio ultrapassa o conceito de vandalismo. O babalorixá Rondinele Santos de Oxum, da Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA), destacou que a escolha da data reforça o caráter simbólico da violência. Segundo ele, a depredação atinge diretamente a fé, a identidade cultural e a história dos povos de terreiro, sobretudo por ocorrer às vésperas de uma das datas mais importantes do calendário religioso afro-brasileiro.
Desde a inauguração do monumento, em abril de 2025, a imagem de Iemanjá tem sido alvo recorrente de ataques e discursos de ódio nas redes sociais, conforme relatos de membros da comunidade.
Em nota pública, a Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA) cobrou ações mais efetivas do poder público para prevenir e investigar crimes dessa natureza e relembra que, há mais de dois anos, solicita a instalação de câmeras de monitoramento no local onde o monumento está instalado.
Leia a nota na íntegra:
DENÚNCIA PÚBLICA | INTOLERÂNCIA RELIGIOSA EM TERESINA (PI)
Mais uma vez, a imagem de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina (PI), foi depredada. O vidro do aquário foi quebrado, assim como a mão da imagem, configurando um ato claro e criminoso de intolerância religiosa.
O que torna esse ataque ainda mais grave é o fato de ocorrer faltando apenas um dia para o Dia de Iemanjá, data sagrada para os povos e comunidades tradicionais de matriz africana. Não se trata de vandalismo comum, mas de uma violência simbólica, religiosa e cultural, que atinge diretamente nossa fé, nossa história e nossa dignidade.
O Piauí é o quarto estado que mais violenta comunidades tradicionais de matriz africana, e episódios como este comprovam, dia após dia, a ausência de ações efetivas do Governo do Estado e da Segurança Pública para prevenir, investigar e responsabilizar os autores desses crimes.
Há mais de dois anos solicitamos a instalação de câmeras de monitoramento naquela região, justamente para coibir e identificar esse tipo de ataque. Agora, esperamos que as câmeras existentes, como as do sistema SPIA, sejam efetivamente utilizadas para identificar e responsabilizar o(s) infrator(es).
Exigimos das autoridades:
• Investigação imediata;
• Responsabilização criminal dos autores;
• Proteção efetiva aos monumentos religiosos;
• Políticas públicas concretas de combate à intolerância religiosa.
Nossa fé não é crime.
Nossa cultura não é alvo.
Nossa existência exige respeito.
Aguardamos uma resposta concreta da Segurança Pública do Estado do Piauí.
Babalórixá Rondinele de Oxum
Articulação Nacional de Povos de Matriz Africanas e Ameríndia – ANPMA-Brasil
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