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CARBONO OCULTO

Investigados por ligação com o PCC dizem em áudio que Ciro Nogueira é amigo de Beto Louco

Donos dos postos HD e Diamantes dizem no WhatsApp que senador do Piauí iria facilitar negócios entre Beto Louco para lavar dinheiro da facção

Da Redação

Sexta - 17/04/2026 às 18:16



Foto: icl notícias Beto Louco, investigado por lavar dinheiro para facção e o senador Ciro Nogueira
Beto Louco, investigado por lavar dinheiro para facção e o senador Ciro Nogueira

Vazou áudios dos empresários piauienses Danillo Coelho e Haran Santhiago, investigados pela Operação Carbono Oculto 86, que comprometem o senador Ciro Nogueira (PP). As mensagens foram divulgadas pelo portal ICL (confira no final da reportagem) e foram extraídas de celulares apreendidos pela Polícia Civil e mostram os investigados detalhando a proximidade entre os líderes de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC e figuras influentes da política nacional. 

Nos áudios, Danillo sugere usar a influência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem se referem pelo apelido "Sena", para facilitar tratativas comerciais com Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco".

Beto Louco e seu sócio, Mohamed Mourad (o "Primo"), são acusados de comandar um esquema bilionário no setor de combustíveis para lavar dinheiro da facção criminosa. De acordo com as investigações, a dupla de São Paulo buscava expandir seus domínios no Piauí através da rede de postos HD, que pertencia a Danillo e Haran. 

Em uma das mensagens gravadas, Danillo é direto: "Se o 'Sena' desse uma ligada aí... era top. Porque ele [Beto Louco] disse que esse cara aí é muito amigo do Ciro". O diálogo indica que a amizade com o senador era vista como um ativo valioso para equilibrar o jogo contra concorrentes de peso, como Ricardo Magro, dono da Refit.

A trama ganha contornos ainda mais graves com o depoimento do piloto Mauro Mattosinho. Ele afirmou ter transportado sacolas que aparentavam conter grandes quantias de dinheiro vivo em uma aeronave de Beto Louco, justamente no dia em que o empresário mencionou que teria um encontro com Ciro Nogueira. 

Embora o senador negue qualquer proximidade com os foragidos, o volume de menções ao seu nome e ao do deputado Júlio Arcoverde (PP-PI) fez com que a Polícia Civil solicitasse o envio de partes do caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao foro privilegiado dos parlamentares.

Apesar da densidade das provas e dos áudios vazados, o inquérito sofreu um revés jurídico no último dia 2 de abril. O juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos de Teresina, determinou o trancamento da investigação, decisão que gerou revolta e um recurso imediato por parte do Ministério Público do Piauí (MP-PI). 

Os promotores defendem que a denúncia contra Haran, Danillo e Victor Linhares por adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro está bem fundamentada e que o bloqueio da apuração impede o esclarecimento de um esquema que mistura crime organizado e poder político.

A "Carbono Oculto 86" revela como o mercado de combustíveis no Piauí se tornou um tabuleiro de xadrez para gigantes sonegadores e facções criminosas. 

Enquanto Beto Louco e Primo seguem foragidos desde agosto do ano passado, os áudios de Danillo e Haran permanecem como peças centrais para entender como o grupo pretendia usar conexões políticas para blindar seus negócios. O desfecho do caso agora depende da Justiça, que terá de decidir se mantém o processo engavetado ou se permite que as investigações avancem sobre as relações perigosas entre o setor de postos e a cúpula do poder.

CONFIRA OS ÁUDIOS DIVULGADOS PELA ICL NOTÍCIAS

Fonte: ICL Notícia

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