Brasília – O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16/4) uma mudança estrutural na estratégia de segurança pública, com foco no bloqueio de bens e recursos de organizações criminosas. A medida consolida o paradigma da "asfixia financeira" para atingir o "andar de cima" do crime.
O anúncio foi feito pelo secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, durante coletiva de imprensa sobre a deflagração da 4ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o BRB e o Banco Master.
De acordo com Lucas, a nova diretriz prioriza inteligência e integração para atingir os "magnatas do crime", evitando que recursos ilícitos contaminem a higidez do Sistema Financeiro Nacional.
"Vamos atrás de quem financia e organiza o crime, não apenas de quem executa", destacou o secretário.
Como parte desse esforço, o governo deve lançar, nos próximos dias, um decreto regulamentador no âmbito da Lei Antifacção, com o objetivo de atacar o patrimônio de quem negocia com facções e intensificar a repressão a armas ilegais.
Avanço técnico na investigação
A 4ª fase da Operação Compliance Zero marca um avanço técnico nas investigações, focando especificamente na corrupção passiva de gestores do Banco de Brasília (BRB) e em esquemas de lavagem de dinheiro decorrentes da compra e venda de créditos fraudulentos.
Diferentemente das fases anteriores, que miraram as fraudes do vendedor — o Banco Master —, esta etapa se concentrou no lado do banco comprador. A ação resultou no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão e na realização de duas prisões.
Entre os presos está Daniel Monteiro, apontado como mentor jurídico e financeiro do esquema e suspeito de ocultar patrimônio no exterior. O principal alvo da operação segue sendo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afastado do cargo ainda na primeira fase da investigação.
Transparência e institucionalidade
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, afirmou que a realização da coletiva inédita se deve ao elevado volume de questionamentos da imprensa identificado pela Secretaria de Comunicação Social do Planalto. Ele ressaltou que a transparência é um dever, desde que respeitados os limites do sigilo judicial imposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro e o secretário destacaram que o governo garante total autonomia investigativa à Polícia Federal, assegurando que não haverá proteção nem perseguição política. A atuação, segundo eles, ocorre estritamente dentro da institucionalidade para preservar a coisa pública e o sistema financeiro.
Histórico da operação
O histórico da Operação Compliance Zero revela a magnitude do esquema, que já resultou no bloqueio de R$ 7,3 bilhões em ativos:
- Fase 1 (18 de novembro de 2025): Exposição das fraudes do Banco Master e bloqueio de R$ 1,3 bilhão.
- Fase 2 (14 de janeiro de 2026): Foco em crimes de gestão fraudulenta por meio de fundos de investimentos, com bloqueio de mais de R$ 6 bilhões.
- Fase 3 (4 de março de 2026): Mira a corrupção de agentes públicos e a obstrução da justiça, resultando no afastamento de dois servidores do Banco Central.
- Fase 4 (16 de abril de 2026): Avanço sobre a corrupção passiva de gestores do BRB e lavagem de dinheiro.
Com a nova estratégia de asfixia financeira, o governo espera desarticular de forma mais eficaz as organizações criminosas pelo bolso, atingindo suas lideranças onde mais dói: o patrimônio ilícito.
Fonte: Agência Brasil
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