A morte recente de uma jovem de 31 anos após complicações durante um tratamento de fertilização in vitro reacendeu dúvidas e receios sobre a segurança do procedimento. Em entrevista ao Podcast do Portal Piauí, o médico especialista em reprodução humana Dr. Anatole Borges afirmou que a fertilização é considerada um dos procedimentos mais seguros da medicina e que as complicações são raras.
Na conversa com a jornalista Malu Barreto, ele explicou que a taxa de complicações em tratamentos de reprodução é inferior a 1%. No caso divulgado recentemente, o médico ressaltou que não houve detalhamento sobre o que ocorreu, mas que uma das etapas mencionadas envolve sedação para a aspiração dos óvulos. “É uma sedação simples, amplamente utilizada, como a de uma endoscopia. Mesmo assim, como qualquer procedimento com sedação, pode haver risco. Mas é algo extremamente raro.”
Quando procurar ajuda
O especialista esclareceu que nem todo casal que demora a engravidar precisa recorrer imediatamente à fertilização in vitro, que é considerada um tratamento de alta complexidade. Antes disso, há opções mais simples, como indução da ovulação e inseminação intrauterina. De acordo com ele, a recomendação é que mulheres acima de 35 anos procurem avaliação após seis meses de tentativas sem sucesso. “Nesse caso, fazemos a avaliação do casal, não só da mulher.”
Dr. Anatole Borges afirmou que infertilidade atinge homens e mulheres de forma igual
A infertilidade atinge homens e mulheres de forma equivalente. “Hoje está provado que a chance de o problema estar no homem ou na mulher é 50% para cada lado. Já foi o tempo de dizer que a culpa é da mulher”, afirmou.
Entre os principais fatores da queda da fertilidade masculina está a varicocele, mas o médico chama atenção para um dado preocupante: homens atuais produzem menos espermatozoides do que gerações anteriores. Sedentarismo, alimentação inadequada, estresse, álcool e outros vícios impactam diretamente a qualidade do sêmen. “A função reprodutiva do homem está intrinsecamente ligada ao bem-estar dele”, afirmou.
Ele alertou ainda para o uso indiscriminado de testosterona. “A reposição hormonal contínua pode até zerar a produção de espermatozoides. Na maioria dos casos é reversível, mas há relatos de que não houve retorno.” Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 17,5% da população adulta mundial enfrenta algum grau de infertilidade ao longo da vida, reforçando que o tema é um desafio de saúde pública global.
Idade feminina e planejamento
No caso das mulheres, a idade é um fator determinante. Segundo o especialista, a fertilidade costuma se manter relativamente estável até os 35 a 37 anos. Depois disso, ocorre uma queda progressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos. “A mulher já nasceu com toda a reserva que vai ter ao longo da vida. A partir dos 37 anos essa reserva começa a cair, e lá pelos 43, 45 praticamente se esgota.”
Se não ngravidar até os 35 anos, mulheres devem considerar o congelamento de óvulos
Por isso, ele recomenda que mulheres que não pretendem engravidar até os 35 anos considerem o congelamento de óvulos. “Se chegou aos 35 e não tem perspectiva de engravidar, procure um especialista. Congelar os óvulos é como fazer uma poupança.” Segundo ele, há relatos de óvulos congelados por mais de dez anos que resultaram em gravidez.
Além das questões médicas, o tratamento envolve forte carga emocional. “Quando não dá certo, o sofrimento é comparável à perda de um filho. Existe toda uma expectativa, um sonho”, afirmou. Ele observou que muitos casais enfrentam frustração por acreditarem que podem controlar todos os aspectos da vida. “Tem coisas que a gente não domina.”
Ao longo de mais de 15 anos de atuação, o médico percebe mudança na forma como o tema é tratado. “Antes o casal chegava ao consultório com dificuldade, o marido não queria ir, marcavam horários diferentes para não serem vistos juntos. Hoje isso mudou.” O adiamento da maternidade e a maior informação contribuíram para reduzir o tabu.
Para o especialista, a reprodução assistida é uma ferramenta importante nesse contexto. “A tecnologia está a favor da fertilidade. O tratamento é tranquilo e os riscos são baixíssimos. Isso precisa ser dito para que os casais não tenham medo.”
A principal orientação, segundo ele, é buscar informação de qualidade e avaliação médica no tempo adequado. “O grande recado é não desistir. A diferença entre o vencedor e o perdedor é que um levantou e o outro ficou no chão.”
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