No Dia Mundial do Combate ao Câncer, celebrado em 8 de abril, especialistas reforçam um alerta que pode salvar vidas: a adoção de hábitos saudáveis e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais armas contra a doença, que ainda é uma das maiores causas de morte no mundo.
Segundo oncologista Mikkael Sekeres, muitos tipos de câncer podem apresentar sinais que, embora comuns, não devem ser ignorados. Entre eles estão perda de peso inexplicada, cansaço persistente, alterações na pele, tosse contínua e dores que não melhoram. O médico destaca que, apesar de muitas vezes silenciosa, a doença costuma dar sinais — e reconhecer esses sintomas pode ser decisivo para um diagnóstico precoce.
Hábitos que reduzem o risco
Especialistas apontam que até cerca de 40% dos casos de câncer podem ser evitados com mudanças no estilo de vida. Entre as principais recomendações estão:
- Não fumar e evitar exposição ao tabaco
- Manter alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes
- Praticar atividade física regularmente
- Evitar consumo excessivo de álcool
- Usar proteção solar
- Manter o peso corporal adequado
Esses cuidados, aliados ao acompanhamento médico regular, reduzem significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
“O câncer é uma doença silenciosa”
A jornalista Rosa Magalhães, que enfrentou um câncer de tireoide, relata que os primeiros sinais podem ser sutis — e, por isso, facilmente ignorados.
Além do linfonodo crescendo rapidamente, eu tinha tosse e rouquidão persistentes e sem motivo aparente. A dor no pescoço foi determinante pra procurar Endocrinologista com urgência. É importante lembrar que o câncer é uma doença silenciosa.
Segundo a jornalista, nenhum dos exames iniciais conseguiu identificar o tipo da doença, sendo a confirmação possível apenas após a biópsia realizada depois da cirurgia, que apontou um carcinoma papilífero agressivo, já com irradiação na traqueia e no esôfago.
Jornalista Rosa Magalhães. Foto: Reprodução/Redes Sociais
O tratamento foi intenso e exigiu um procedimento cirúrgico de longa duração, seguido de um período de recuperação e tratamento com iodoterapia para eliminar possíveis focos restantes da doença. Rosa também afirma que, recentemente, recebeu a notícia de que não há mais sinais do câncer no organismo e que, atualmente, faz apenas o uso de medicação para reposição hormonal.
Hoje, comemora a cura e reforça a importância de não ignorar sinais.
Aprendi a esperar o tempo certo de cada coisa, a ter mais paciência comigo mesma, a aceitar ajuda. Observar os sinais do nosso corpo é essencial: qualquer mudança, por mais sutil que seja, merece atenção.
Ao refletir sobre a experiência, Magalhães reforça a importância do autocuidado e da prevenção, destacando que é fundamental olhar para si com mais atenção e responsabilidade. Ela também ressalta que doenças não devem ser romantizadas, nem definirem a vida de uma pessoa.
Segundo a jornalista, cada indivíduo enfrenta uma enfermidade grave de maneira diferente, e esse processo precisa ser respeitado. Ainda assim, acredita que lidar com a situação de forma mais equilibrada, sem se deixar consumir pelo desespero ou pela constante reclamação, pode tornar o caminho menos doloroso.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Diagnóstico tardio: uma dor que poderia ser evitada
Uma fonte que preferiu não se identificar relatou a perda do avô, José Bezerra, vítima de câncer de pulmão associado ao tabagismo e ao diagnóstico tardio. Ainda jovem na época, ela conta que não compreendia totalmente a situação, mas sabia que ele enfrentava uma doença grave.
De acordo com o relato, o avô tentou abandonar o cigarro diversas vezes ao longo da vida, mas só conseguiu interromper o hábito após receber o diagnóstico — quando a doença já estava em estágio avançado.
A família começou a notar a gravidade do quadro em momentos simples, como a perda de interesse por atividades que ele amava.
O meu avô sempre foi muito brincalhão, apaixonado pelo Flamengo, doente mesmo pelo time a ponto de tudo dele em casa ser do Flamengo. A gente começou a perceber que estava perto porque um dia era final de campeonato, Flamengo ganhou, e ele não se empolgou, dormiu durante todo o jogo e não comemorou. A ficha começou a cair.
A fonte também destacou o sofrimento enfrentado por José Bezerra nos últimos momentos de vida, marcados por dor intensa e dificuldades para se alimentar, o que impactou profundamente toda a família.
Imagem ilustrativa de avô com neta. Foto: Joanna Malinowska
Checklist: exames essenciais por idade
A realização de exames periódicos é fundamental para detectar o câncer em fases iniciais, quando as chances de cura são maiores.
A partir dos 20 anos:
- Papanicolau (mulheres)
- Avaliações clínicas regulares
A partir dos 40 anos:
- Mamografia (mulheres)
- Exames de rotina conforme histórico familiar
A partir dos 50 anos:
- Colonoscopia (homens e mulheres)
- Rastreamento de câncer de próstata (homens)
Em qualquer idade:
- Avaliação de sinais suspeitos
- Exames específicos conforme orientação médica
Prevenção e informação salvam vidas
O Dia Mundial do Combate ao Câncer reforça que o acesso à informação, aliado ao cuidado com o corpo e à realização de exames, pode fazer toda a diferença. A história de Rosa mostra que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. Já o relato da fonte anônima evidencia o impacto do diagnóstico tardio.
No fim, a mensagem é clara: ouvir o corpo, procurar ajuda médica e manter hábitos saudáveis não são apenas cuidados — são atitudes que salvam vidas.
(*) Isabel Fonseca é estagiária de Jornalismo sob supervisão dos jornalistas Gilson Rocha e Malu Barreto.
Fonte: Oncoguia, Mikkael A. Sekeres, Estadão
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