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Presidente do Paraguai diz que acordo Mercosul–União Europeia só foi possível com Lula

Declaração de Santiago Peña ocorreu durante a cerimônia de assinatura do tratado de livre comércio entre os blocos, realizada em Assunção no Paraguai

Sábado - 17/01/2026 às 15:25



Foto: Luis ROBAYO / AFP Líderes do Mercosul e da União Europeia posam juntos durante a cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio entre os dois blocos, realizada em Assunção, no Paraguai
Líderes do Mercosul e da União Europeia posam juntos durante a cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio entre os dois blocos, realizada em Assunção, no Paraguai

Líderes sul-americanos e europeus formalizaram, neste sábado (17), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, considerado um dos mais relevantes pactos econômicos das últimas décadas. A cerimônia foi realizada no Gran Teatro José Asunción Flores, em Assunção, capital do Paraguai, país que exerce atualmente a presidência rotativa do bloco sul-americano.

Negociado ao longo de mais de 25 anos, o acordo cria uma área de livre comércio que abrange cerca de 780 milhões de consumidores e tem potencial para impulsionar o comércio internacional, com a redução gradual de tarifas e a ampliação do acesso a mercados para produtos industriais e agropecuários dos dois blocos.

A declaração que marcou o evento partiu do presidente paraguaio, Santiago Peña, que destacou o papel do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no avanço das negociações.

Sem ele, esse acordo (Mercosul–União Europeia) não seria possível.

Peña fez referência à ausência de Lula na cerimônia — o presidente brasileiro foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira — e ressaltou que, sem a atuação do chefe do Executivo brasileiro, o acordo dificilmente teria sido concluído.

Cerimônia marcada por simbolismos

Mesmo sem participar presencialmente, Lula celebrou a assinatura do tratado e classificou o momento como uma “vitória do multilateralismo”, destacando o potencial do acordo para gerar emprego, renda e desenvolvimento sustentável nos países do Mercosul.

A cerimônia reuniu autoridades de alto escalão da América do Sul e da Europa. Além de Santiago Peña, estiveram presentes os presidentes Javier Milei, da Argentina; Yamandú Orsi, do Uruguai; Rodrigo Paz, da Bolívia; e José Raúl Mulino, do Panamá. Pela União Europeia, participaram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reforçando o peso político e institucional do tratado.

O que o acordo prevê

O acordo estabelece a eliminação gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços comercializados entre os blocos. O Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia fará o mesmo para 95% dos bens do bloco sul-americano em até 12 anos. Parte da indústria será beneficiada de forma imediata, com tarifa zero para setores como máquinas e equipamentos, automóveis, produtos químicos e aeronaves.

Para produtos agrícolas sensíveis, como carne bovina, frango e açúcar, foram definidas cotas de importação, com tarifas aplicadas acima dos limites, além de salvaguardas que permitem a reintrodução temporária de taxas. O tratado também impõe compromissos ambientais vinculantes, mantém regras sanitárias rigorosas, amplia o comércio de serviços, abre compras públicas, reforça a proteção à propriedade intelectual e cria mecanismos para facilitar a participação de pequenas e médias empresas.

Confira o vídeo abaixo:

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