
Em reunião privada com investidores promovido pela Legend Investimentos nesta segunda-feira (31), no auditório do BTG, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro, prometeu que o Congresso irá trabalhar como uma contenção do governo Lula até 2026, com o objetivo de enfraquecê-lo para que a extrema direita volte ao poder nas próximas eleições.
Em áudio obtido pelo site ICL Notícias, o senador sinaliza desejar o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirma que o movimento é inviável pelo fato do mandatário ter, no mínimo, 30% de apoio popular.
"É muito semelhante com o que acontece no governo Dilma, quando nosso partido saiu e desencadeou todo o processo de impeachment. Só que uma coisa é você tirar a Dilma (...) Costumo a dizer que quem faz impeachment de presidente não é o Congresso, é a população. A Dilma foi tirada porque ela tinha 7% [de aprovação]. O Lula tem um piso de 30%, então, não vai cair, não. E eu acho que seria muito traumático para esse momento econômico", afirma.
Alterar projeto da isenção do IR para beneficiar os ricos
Ainda na mesma conversa, Ciro Nogueira afirmou que seu partido trabalhará para alterar o projeto de lei do governo Lula que concede isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. Segundo o senador, não há como um parlamentar votar contra a isenção. Ele disse, no entanto, que a "questão da compensação" será alterada, em um gesto claro para beneficiar os mais ricos.
"Não tem como um parlamentar votar contra a isenção para quem ganha até 5 mil reais, né? Nós temos que ver a questão da compensação, a proposta que nós vamos fazer", declarou.
O projeto do governo Lula prevê que, para compensar a arrecadação que deixará de ser feita com a isenção, será instituído um aumento da taxação das altas rendas (acima de R$ 600 mil por ano, ou R$ 50 mil por mês), que afetará apenas 0,13% dos contribuintes (cerca de 141,4 mil pessoas).
No áudio obtido pelo ICL Notícias, uma mulher pergunta a Ciro Nogueira "quais são os pilares desta proposta" e adverte que "aqui", isto é, entre os agentes do mercado financeiro, "tá todo mundo taxado nos acima dos 50 mil". O senador, então, sinaliza que trabalhará para que os mais ricos não sejam obrigados a compensar a isenção do IR para a maioria da população.
Ouça o áudio:
Lira, do PP de Ciro Nogueira, vai relatar projeto de isenção do IR
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu indicar Arthur Lira (PP-AL) como relator do projeto do governo Lula que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para até R$ 5 mil. A oficialização deve ocorrer nesta quinta-feira (3).
O projeto é uma das prioridades do governo Lula e da bancada do PT. Enviado em março, ele prevê isenção total para quem ganha até R$ 5 mil, além de descontos de até 75% para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. Acima disso, segue a tabela atual.
A equipe econômica estima perda de R$ 27 bilhões na arrecadação, que seria compensada com aumento da taxação sobre quem recebe mais de R$ 600 mil por ano.
A relatoria de Lira foi bem recebida por integrantes do governo. Nos bastidores, avalia-se que, com ele, o projeto será aprovado, ainda que sofra alterações. A relatoria era cobiçada por vários parlamentares.
Inicialmente, o nome cotado era o do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). A mudança foi definida por Motta, que já indicou que o texto deve sofrer alterações na Câmara. A expectativa é que o projeto seja aprovado ainda este ano, para valer na declaração de 2026.
Fonte: Revista Fórum, ICL