Em um dia marcado por um incidente grave durante um ato político em Brasília, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) reacendeu o debate sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Um dos líderes do Centrão e ex-ministro de Jair Bolsonaro classificou os presos pelas invasões às sedes dos Três Poderes apenas como "baderneiros" e reafirmou sua intenção de trabalhar no Congresso para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado Projeto de Lei da Dosimetria.
O PL 2.162/2023, aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro de 2023, modifica as regras de dosimetria (cálculo) de penas, o que poderia resultar na significativa redução das condenações de réus em diversos crimes, incluindo os condenados pela tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro.
O projeto da chamada dosimetria, segundo análise de juristas e da própria PGR, beneficiaria diretamente figuras de alto escalão condenadas, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes como associação criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
As declarações de Ciro Nogueira foram feitas em um contexto de mobilização da base bolsonarista. Neste domingo (25), o senador usou suas redes sociais (vídeo abaixo) para elogiar a caminhada de 240 km liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), de Paracatu (MG) a Brasília. Para Nogueira, a mobilização seria uma demonstração de que "o povo perdeu o medo de ir pra rua depois dos episódios que levaram centenas à prisão".
O encerramento da caminhada, no entanto, foi abruptamente interrompido por uma forte tempestade. Um raio atingiu as proximidades da Praça do Cruzeiro, no Distrito Federal, onde ocorria a concentração final.
De acordo com o Corpo de Bombeiros do DF, 72 vítimas foram atendidas no local. Dessas, 42 estavam estáveis, conscientes e orientadas, enquanto 30 foram encaminhadas a hospitais (HBDF e HRAN), sendo que oito apresentavam condições instáveis. O incidente, de causa natural, não teve relação com o conteúdo político do evento.
A batalha pelo veto
O veto presidencial ao PL da Dosimetria foi publicado assinado em 8 de janeiro de 2026. Lula, ao justificar a decisão, argumentou que o projeto contraria o interesse público e "enfraquece o combate à criminalidade grave e organizada".
Para ser mantido, o veto precisa ser confirmado pelo Congresso. Ciro Nogueira, ao prometer trabalhar pela derrubada, coloca-se no centro de uma disputa que vai além da dosimetria, tangendo a narrativa sobre a gravidade dos atos de 8 de janeiro.
Ao chamar os condenados de "baderneiros", o senador minimiza a caracterização de tentativa de golpe de estado consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em diversas condenações. A posição de Nogueira reflete a estratégia de parte da oposição de reenquadrar os ataques como um episódio de vandalismo comum, buscando assim criar base política para anistias ou reduções de penas.
A tentativa de derrubada do veto deve ocorrer em sessão conjunta do Congresso, exigindo maioria absoluta de deputados e senadores (257 e 41 votos, respectivamente). O resultado é incerto e depende da articulação do chamado Centrão, do qual o PP de Ciro Nogueira é peça-chave.
Fonte: Instagram
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