Polícia

OPERAÇÃO LAVERNA

Influenciadoras de Parnaíba são suspeitas de enganar seguidores com apostas ilegais

Investigação identificou movimentações milionárias e indícios de fraude

Da Redação

Sexta - 10/04/2026 às 10:28



Foto: Reprodução/Instagram Daay Carvalho e Brunnah Carvalho
Daay Carvalho e Brunnah Carvalho

Duas influenciadoras digitais identificadas como Daay Carvalho e  Brunnah Carvalho foram alvos da Operação Laverna 4, deflagrada na manhã desta sexta-feira (10) pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí no município de Parnaíba, no Litoral do estado. A ação investiga crimes de divulgação de jogos de azar, lavagem de dinheiro e estelionato contra o consumidor.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis ligados às investigadas, além de medidas cautelares autorizadas pela Justiça, incluindo o bloqueio de mais de R$ 2 milhões em ativos financeiros.

As investigações, iniciadas em 2024, apontam que as influenciadoras utilizavam redes sociais para promover plataformas ilegais de apostas, rifas virtuais e jogos de azarcomo o chamado “jogo do tigrinho”. A estratégia incluía ostentação de bens, promessas de lucro fácil e divulgação de ganhos supostamente elevados para atrair seguidores.

De acordo com a apuração, as suspeitas também mantinham grupos de mensagens para captar apostadores e direcioná-los às plataformas ilegais. Há indícios de manipulação de resultados e uso de contas simuladas para dar aparência de veracidade aos lucros divulgados.

No aspecto financeiro, a polícia identificou movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada. Uma das investigadas teria movimentado cerca de R$ 1,1 milhão em 14 contas bancárias, enquanto a outra registrou mais de R$ 1 milhão em nove contas diferentes.

Além disso, foram identificados indícios de ocultação de patrimônio, com uso de terceiros e empresas com baixa movimentação, além da fragmentação de valores para dificultar o rastreamento.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, computadores, documentos, mídias digitais, dinheiro em espécie e itens de alto valor, como joias. A Justiça também determinou a quebra de sigilo dos dispositivos eletrônicos.

As investigadas deverão suspender imediatamente a divulgação de jogos de azar e remover, no prazo de 24 horas, todas as postagens relacionadas às práticas ilícitas nas redes sociais.

Em um dos endereços alvo da operação, os policiais encontraram 26 galos em situação de maus-tratos, configurando prática de rinha. Um homem foi conduzido à delegacia e deve responder por crime ambiental por meio de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

Segundo o delegado Ayslan Magalhães, a operação revelou um esquema estruturado nas redes sociais. 

“Identificamos um esquema estruturado, com forte atuação nas redes sociais, que utilizava estratégias de persuasão para induzir seguidores a investir em plataformas ilegais. Essas práticas geram prejuízos financeiros e afetam diretamente a confiança da população”, pontuou.

Já o superintendente de Operações Integradas da SSP, delegado Matheus Zanatta, destacou o trabalho de inteligência no combate a crimes digitais.

“Essa operação demonstra a capacidade investigativa das nossas equipes no enfrentamento aos crimes digitais e financeiros. Estamos atuando com inteligência para desarticular organizações que se utilizam da internet para cometer fraudes e lavar dinheiro”, destacou o superintendente de Operações Integradas da SSP, delegado Matheus Zanatta.

As investigações continuam, e a polícia não descarta a participação de outros envolvidos no esquema.

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