Teerã / Washington, 8 de abril de 2026 – O que começou como uma tentativa dos Estados Unidos e Israel de "decapitar" o regime iraniano terminou, cinco semanas depois, com o governo de Donald Trump recuando e aceitando uma proposta de paz apresentada pelo Irã, em negociação liberada pelo Paquistão.
Nesta terça-feira (7), Trump anunciou a suspensão dos ataques por duas semanas, classificando a proposta iraniana como uma "base viável para negociar". Em contrapartida, Teerã reivindicou uma "grande vitória" e declarou que os EUA ficaram "moralmente desmoralizados" no cenário internacional.
Para analistas, a guerra que prometia derrubar o regime dos aiatolás terminou sem que os objetivos ocidentais fossem alcançados, consolidando o Irã como um ator geopolítico fortalecido, apesar dos danos materiais.
"Derrota política" de Trump
O conflito teve início em 28 de fevereiro com um ataque coordenado que matou o líder supremo Ali Khamenei. A promessa de Washington era clara: destruir as forças do Irã e forçar uma mudança de regime.
No entanto, quase 40 dias depois, o cenário é outro:
· Baixas americanas: Pelo menos 13 soldados dos EUA foram mortos, e cerca de 200 ficaram feridos .
· Objetivos não cumpridos: O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, está no poder sem fazer concessões .
· Recuo estratégico: Trump suspendeu os ataques sem obter a rendição iraniana.
"Trump não perdeu no campo militar, mas perdeu no campo político. Ele não conseguiu nenhum dos objetivos que prometeu", afirmou o comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que classificou o desfecho como uma "derrota humilhante" para os EUA.
Enquanto a infraestrutura física iraniana foi danificada, a República Islâmica saiu do confronto com sua narrativa de resistência validada e sua posição geopolítica na região inegavelmente mais forte.

Os 10 Pontos do Irã: sem concessões
Apesar de Trump ter chamado o plano de 10 pontos de "significativo", o conteúdo da proposta mostra que Teerã não cedeu em nenhum de seus principais pontos de pressão. O documento, obtido pela mídia estatal iraniana e confirmado por agências internacionais, estabelece as regras para o fim definitivo da guerra .
Os termos exigidos pelo Irã incluem:
1. Controle do Estreito de Ormuz: O Irã manterá a supremacia militar na passagem, coordenando o trânsito com suas Forças Armadas.
2. Fim das Sanções: Suspensão imediata de todas as sanções primárias e secundárias dos EUA.
3. Indenização e Ativos: Pagamento de compensação total pelos danos da guerra e liberação de todos os bens e ativos iranianos congelados no exterior.
4. Enriquecimento de Urânio: O Irã continuará com seu programa nuclear, incluindo o enriquecimento — um ponto que Trump sempre disse ser "inaceitável" .
5. Retirada das Tropas: Saída das forças de combate americanas de todas as bases na região.
6. Taxa de Trânsito: O plano chega a prever uma taxa de US$ 2 milhões por navio mercante que cruzar o Estreito de Ormuz, valor que seria usado para a reconstrução do país .
Dedos no gatilho
O anúncio do cessar-fogo não significa o fim das tensões. Autoridades iranianas foram enfáticas ao afirmar que o regime continua com "os dedos no gatilho" e que qualquer erro americano será respondido com força total.
As negociações sobre os detalhes finais do plano começarão na sexta-feira (10), no Paquistão. No entanto, o Irã já deixou claro: não há acordo sem a implementação total dos 10 pontos.
"Estamos pedindo o fim da guerra, não apenas uma pausa temporária", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei. Para Teerã, aceitar um cessar-fogo sem a garantia do fim das sanções seria uma armadilha para dar tempo aos inimigos se reorganizarem .
Cenário humanitário
Enquanto a diplomacia avança, o custo humano da guerra é devastador. Mais de 5 mil pessoas podem ter morrido em todo o Oriente Médio desde o fim de fevereiro, com o maior número de vítimas concentrado no Irã e no Líbano . Estima-se que mais de 4 milhões de pessoas foram deslocadas.
O ataque mais simbólico ocorreu no primeiro dia da guerra, quando um bombardeio a uma escola em Minab matou pelo menos 175 pessoas, a maioria crianças de 6 a 11 anos .

Fonte: Agências internacionais
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