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INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Imagem de Iemanjá é alvo de depredação na véspera de data religiosa em Teresina

Depredação de monumento religioso revolta comunidades de matriz africana, que pedem providências

Da Redação

Domingo - 01/02/2026 às 17:37



Foto: Reprodução/Whatsapp Além do aquário de vidro, a mão da estátua também foi quebrada
Além do aquário de vidro, a mão da estátua também foi quebrada

A imagem de Iemanjá instalada na avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina, foi depredada novamente neste domingo (1º), poucas horas antes das celebrações dedicadas à orixá, realizadas tradicionalmente no dia 2 de fevereiro. Durante a ação, o vidro que protege o monumento foi quebrado e a escultura teve parte da mão danificada, causando indignação entre praticantes de religiões de matriz africana e lideranças religiosas da capital. 

O caso foi comunicado às autoridades e está sob apuração da Polícia Civil, que ainda não confirmou a identificação de suspeitos.

Para representantes das comunidades tradicionais, o episódio vai além de um simples ato de vandalismo. O babalorixá Rondinele Santos de Oxum, ligado à Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA), afirmou que a escolha da data reforça o caráter simbólico do ataque.

A depredação da imagem atinge diretamente a fé, a identidade cultural e a história dos povos de terreiro, especialmente por ocorrer às vésperas de uma das datas mais importantes do calendário religioso afro-brasileiro.

Desde sua inauguração, em abril de 2025, o monumento tem sido alvo frequente de ataques e discursos de ódio nas redes sociais, segundo relatos de membros da comunidade. As ocorrências vêm sendo denunciadas como parte de um cenário mais amplo de intolerância religiosa no estado.

Em nota pública, a Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA) afirma que o Piauí ocupa a quarta posição entre os estados que mais registram violência contra comunidades tradicionais de matriz africana e cobra ações mais efetivas do poder público para prevenir e investigar crimes dessa natureza. O documento também relembra que há mais de dois anos foi solicitada a instalação de câmeras de monitoramento na área onde o monumento está instalado.

Veja a nota:

DENÚNCIA PÚBLICA | INTOLERÂNCIA RELIGIOSA EM TERESINA (PI)

Mais uma vez, a imagem de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina (PI), foi depredada. O vidro do aquário foi quebrado, assim como a mão da imagem, configurando um ato claro e criminoso de intolerância religiosa.

O que torna esse ataque ainda mais grave é o fato de ocorrer faltando apenas um dia para o Dia de Iemanjá, data sagrada para os povos e comunidades tradicionais de matriz africana. Não se trata de vandalismo comum, mas de uma violência simbólica, religiosa e cultural, que atinge diretamente nossa fé, nossa história e nossa dignidade.

O Piauí é o quarto estado que mais violenta comunidades tradicionais de matriz africana, e episódios como este comprovam, dia após dia, a ausência de ações efetivas do Governo do Estado e da Segurança Pública para prevenir, investigar e responsabilizar os autores desses crimes.

Há mais de dois anos solicitamos a instalação de câmeras de monitoramento naquela região, justamente para coibir e identificar esse tipo de ataque. Agora, esperamos que as câmeras existentes, como as do sistema SPIA, sejam efetivamente utilizadas para identificar e responsabilizar o(s) infrator(es).

Exigimos das autoridades:
• Investigação imediata;
• Responsabilização criminal dos autores;
• Proteção efetiva aos monumentos religiosos;
• Políticas públicas concretas de combate à intolerância religiosa.

Nossa fé não é crime.
Nossa cultura não é alvo.
Nossa existência exige respeito.

Aguardamos uma resposta concreta da Segurança Pública do Estado do Piauí.

Babalórixá Rondinele de Oxum
Articulação Nacional de Povos de Matriz Africanas e Ameríndia – ANPMA-Brasil

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