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DIREITOS FUNDAMENTAIS

Decreto oficializa adesão do Brasil a protocolo da OIT sobre trabalho escravo

Trata-se de um dos principais instrumentos internacionais de enfrentamento a crimes como tráfico de pessoas e a servidão por dívida

Da Redação

Quarta - 25/02/2026 às 15:58



Foto: Protocolo diz que a proibição do uso de trabalho forçado ou obrigatório faz parte dos direitos fundamentais
Protocolo diz que a proibição do uso de trabalho forçado ou obrigatório faz parte dos direitos fundamentais

Foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (25/2) o Decreto nº 12.857 , que promulga o Protocolo de 2014 relativo à Convenção nº 29 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o Trabalho Forçado ou Obrigatório, firmado em Genebra. Com a promulgação, o Brasil oficializa legalmente sua adesão a um dos principais instrumentos internacionais de enfrentamento às formas modernas de trabalho forçado, como o tráfico de pessoas e a servidão por dívida. A medida foi assinada pelo vice-presidente da República enquanto em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

O Protocolo incorpora a perspectiva de gênero, ao reconhecer a maior vulnerabilidade de mulheres e meninas, e estabelece medidas específicas de proteção a crianças.

Protocolo incorpora a perspectiva de gênero, ao reconhecer a maior vulnerabilidade de mulheres e meninas

DIREITOS FUNDAMENTAIS 

Segundo o protocolo, a proibição do uso de trabalho forçado ou obrigatório faz parte dos direitos fundamentais. O documento destaca que o trabalho forçado ou obrigatório constitui uma violação dos direitos humanos, viola a dignidade de milhões de mulheres, homens, meninas e meninos, contribui para perpetuar a pobreza, tornando-se um obstáculo para a conquista do trabalho decente para todos. O texto ainda ressalta que os membros que ratificaram a Convenção têm a obrigação de criminalizar o trabalho forçado ou obrigatório e de assegurar que as sanções impostas por lei sejam realmente efetivas e estritamente aplicadas.

Certos grupos correm maior risco de serem submetidos a trabalho forçado ou obrigatório

AÇÕES URGENTES

O protocolo sublinha ainda que o contexto e as formas de trabalho forçado ou obrigatório mudaram e que o tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado ou obrigatório, que pode abarcar a exploração sexual, suscita preocupação internacional crescente e que sua eliminação efetiva requer ações urgentes. O documento também frisa que um número crescente de trabalhadores se encontra em situação de trabalho forçado ou obrigatório na economia privada, que certos setores da economia são particularmente vulneráveis e que certos grupos de trabalhadores correm maior risco de serem submetidos a trabalho forçado ou obrigatório, especialmente migrantes.

PRINCIPAIS DIRETRIZES

Entre suas principais diretrizes, o protocolo estabelece que os países-membros da OIT devem se comprometer com uma série de ações. Entre elas:

  • Adotar medidas eficazes para prevenir e eliminar o trabalho forçado;

  • Proteger as vítimas e garantir seu acesso à justiça e à reparação, inclusive compensações;

  • Aplicar sanções aos responsáveis;

  • Desenvolver políticas nacionais com consulta a organizações de empregadores e de trabalhadores;

  • Combater práticas abusivas no recrutamento, especialmente de migrantes;

  • Promover campanhas educativas e ações de devida diligência nos setores público e privado;

  • Assegurar que vítimas não sejam punidas por atos cometidos sob coerção;

  • Fortalecer a cooperação internacional na erradicação do trabalho forçado.

Fonte: Agência Gov

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