Economia

NOVA FASE

Governo do Piauí desenvolve índice de sustentabilidade e impulsiona nova fase da opala

Iniciativa integra pesquisa, inovação e qualificação para fortalecer cadeia produtiva e ampliar presença no mercado internacional

Da Redação

Sábado - 11/04/2026 às 14:50



Foto: A iniciativa também busca tornar a cadeia produtiva mais justa e inclusiva
A iniciativa também busca tornar a cadeia produtiva mais justa e inclusiva

O Governo do Estado do Piauí está desenvolvendo um índice de sustentabilidade para a cadeia produtiva da opala, iniciativa que marca uma nova fase na exploração da gema e busca alinhar a atividade às exigências ambientais, sociais e econômicas do mercado atual. Ainda em construção, o índice pretende avaliar e orientar práticas mais responsáveis, fortalecendo a competitividade da opala piauiense dentro e fora do país.

A proposta faz parte da retomada do Arranjo Produtivo Local (APL) da Opala, projeto coordenado pelo geólogo Érico Gomes, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), e pela professora Lilane Brandão, da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e das Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (SDE) e do Planejamento (Seplan).

A opala piauiense se destaca pela resistência e pelo característico “jogo de cores”,

A iniciativa reúne mineradores, artesãos, empreendedores e pesquisadores em torno da estruturação da cadeia produtiva, da qualificação profissional e da ampliação da presença da opala de Pedro II no mercado nacional e internacional. Para os pesquisadores, trata-se da melhor oportunidade em décadas para consolidar o setor no estado.

Encontrada principalmente em Pedro II, a opala piauiense se destaca pela resistência e pelo característico “jogo de cores”, características que a colocam entre as mais valorizadas do mundo. Apesar disso, durante anos, a exploração ocorreu de forma informal, com baixa tecnologia e sem certificação, dificultando o acesso a mercados mais exigentes.

Esse cenário começa a mudar com a atuação integrada do APL, que passou a investir em inovação, qualificação e sustentabilidade. Além do índice em desenvolvimento, o projeto inclui estudos para recuperação de áreas degradadas e reaproveitamento de resíduos da mineração, buscando conciliar produção, preservação ambiental e geração de renda. Outro avanço estratégico é a pesquisa que busca identificar a “assinatura” da opala piauiense, etapa considerada fundamental para garantir autenticidade, agregar valor e ampliar a inserção no mercado internacional.

A estruturação da cadeia produtiva reúne mineradores, artesãos, empreendedores e pesquisadores

Em menos de dois anos, o projeto já resultou na capacitação de garimpeiros e artesãos, no fortalecimento da governança do setor e no início do processo de internacionalização da gema. Em 2024, Teresina sediou o Inova Joalheria, primeiro congresso do segmento no Nordeste, reunindo especialistas em design, tecnologia e mercado.

No mesmo período, foi reaberto em Pedro II o Centro de Tecnologia e Artefatos Minerais (CETAM), após quase duas décadas. O espaço passou a oferecer cursos em gemologia, lapidação, ourivesaria e design 3D, ampliando o acesso à formação profissional. “Foi no CETAM que ampliei minha visão da profissão”, afirma a designer Ravena Barroso. “Foi lá que tive a oportunidade de aprofundar conhecimentos técnicos e acessar tecnologias.”

Para Edielly Chrístini, o impacto está na ampliação do acesso ao setor. “A joalheria sempre foi muito centralizada em poucas famílias. Os cursos do CETAM abriram essa porta”, destaca. Ela também chama atenção para o potencial da gema. “Muita gente nem sabe o que é a opala do Piauí. Quando conhece, fica encantada.”

Para Edielly Chrístini, o impacto está na ampliação do acesso ao setor

A participação em feiras tem contribuído para dar mais visibilidade à opala piauiense. Em 2025, a gema ganhou destaque internacional na Tucson Gem Fair, nos Estados Unidos. Outro avanço importante foi a visita de pesquisadores do Gemological Institute of America (GIA), que coletaram amostras para estudos de certificação de origem.

Na avaliação do presidente da Fapepi, João Xavier, o projeto reforça o papel da ciência no desenvolvimento econômico do estado. “Nosso investimento é também simbólico. Trata-se de reposicionar o Piauí na gemologia internacional e transformar ciência em desenvolvimento”, afirma.

A iniciativa também busca tornar a cadeia produtiva mais justa e inclusiva. Segundo a professora Lilane Brandão, o objetivo é “conciliar exploração mineral, recuperação de áreas degradadas e justiça social”.

Com a integração entre pesquisa, inovação e qualificação, a opala do Piauí entra em uma nova fase, deixando para trás um histórico de informalidade e se consolidando como um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico e sustentável do estado.

Fonte: Governo do Estado

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