O escritor Lucas Villa, mais conhecido por sua trajetória na poesia, acaba de estrear em um novo gênero: o romance. Com Bestiário, publicado pela editora paulista Patuá, ele se aventura pela primeira vez na prosa longa e veio contar essa experiência no programa Simboracast, podcast gravado no estúdio do Portal Piauí Hoje e apresentado pelo professor Wellington Soares.
Durante a conversa, Villa revelou que a estreia no gênero era um desejo antigo, mas que enfrentou dificuldades para concretizá-lo. "Eu já tinha, no passado, duas vezes iniciado a escritura de romances e acabei abandonando pelo meio do caminho. Dessa vez eu coloquei na minha cabeça que eu ia até o final", confessou.
O escritor explicou que o desafio foi ainda maior por vir da poesia, um gênero no qual ele está acostumado a trabalhar cada palavra com precisão cirúrgica. "A gente fica querendo trabalhar cada frase, cada palavra, cada sílaba tônica caindo no lugar que a gente gostaria que ela caísse. Quando a gente vai fazer isso num trabalho de maior fôlego, mais longo, acaba sendo bastante trabalhoso", disse.
Lucas Villa revelou que a estreia no gênero era um desejo antigo,
Bestiário conta a história de dois personagens principais com visões de mundo opostas. De um lado, Adeodato, um cirurgião que perde a família em um acidente de carro e abandona a medicina para se dedicar à taxidermia, fazendo um pacto com a morte. De outro, Ariadne, uma artista plástica hedonista que vive em busca do prazer e acredita na eternização por meio da arte.
"Adeodato chega à conclusão de que a medicina é uma ciência cujo objeto ele não acredita mais, porque a medicina seria a tentativa de prolongar indefinidamente a morte. Ele resolve abandonar essa ciência para abraçar a taxidermia, para não mais tentar lutar contra a morte, mas para fazer um acordo com ela", detalhou Villa.
O elo entre os dois personagens é Diógenes, irmão de Adeodato, descrito pelo autor como "o canalha carismático do romance". A trama se passa em Teresina e tem como cenário um casarão abandonado localizado na Avenida Presidente Kennedy, que realmente existe e está vazio.
Para conseguir concluir o livro, Villa precisou se impor uma rotina rigorosa de escrita, mesmo conciliando com a carreira de advogado, professor e as demandas da OAB e da família. "Eu me policiei para escrever um capítulo por dia, religiosamente. O livro tem 40 capítulos, divididos em quatro partes. Quando eu concluía dez, passava dois dias planejando os dez seguintes e depois voltava a escrever um por dia", contou.
A presença da filosofia, área em que Villa também atua como pesquisador, é marcante na obra, mas ele fez questão de dosar para não afastar o leitor. "Isso aproxima certos tipos de leitor e talvez afaste o que eu gosto de chamar de leitor preguiçoso. É justo, eu também às vezes gosto de um bom romance de entretenimento. Mas para o tipo de leitura que eu costumo escrever, tentei encontrar a justa medida", explicou.
Escritor conta que adotou rotina rigorosa de escrita (foto Editora Patuá)
Ao longo da entrevista, Villa também apresentou suas obras anteriores, como os livros de poesia Ática, Visceral e Considerações de um Próton, publicados em 2004, e Anamorfose, lançado pela Editora Nova Aliança. No ano passado, ele foi convidado para integrar a coleção Literatura Piauiense da Academia Piauiense de Letras com a antologia Miríades. Atualmente, finaliza um novo livro de poemas, provisoriamente intitulado Meus Mortos, Meus Iguais.
Questionado por Wellington Soares sobre a possibilidade de concorrer a uma vaga na Academia Piauiense de Letras, aberta com o falecimento do poeta Alvino Pacheco, Villa não escondeu o interesse. "Tenho uma admiração enorme pela casa. Tenho sim, muito desejo de um dia estar lá. Gostaria de concorrer a uma vaga, pelo respeito que tenho pela casa e pela vontade de colaborar com a cultura e com a história dessa instituição", declarou. "Meu nome está à disposição. Minha obra está aí para avaliação."
Além da produção literária, Villa possui livros nas áreas do direito e da filosofia, como Estratégia de Ser Ministro, publicado pela Lumen Juris, e O Demônio de Etnia: Helenismo, Eterno Retorno e a Ética do Cuidado de Si, de 2012. Ele também é pós-doutor pela Universidade de Hamburgo, na Alemanha.
Bestiário pode ser adquirido pelo site da Editora Patuá e na Amazon. O programa Simboracast vai ao ar semanalmente com debates sobre literatura, arte e cultura, sempre recebendo escritores e artistas para conversas aprofundadas sobre o cenário cultural piauiense e nacional.
Veja a entrevista completa no canal do Portal Piauí Hoje no Youtube, clincando abaixo:
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