Bad Bunny entrou para a história do Grammy Awards 2026 ao vencer a categoria Álbum do Ano com Debí Tirar Más Fotos, tornando-se o primeiro artista a conquistar o principal prêmio da cerimônia com um disco inteiramente em espanhol.
O projeto também foi premiado como Best Música Urbana Album, além de render a estatueta de Best Global Music Performance pela faixa EoO. A conquista tripla foi anunciada na noite deste domingo (1º), durante a cerimônia realizada nos Estados Unidos, e reforça o avanço da música latina no centro da indústria fonográfica internacional.
Da periferia de Porto Rico ao centro da indústria musical
Bad Bunny, nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio, nasceu em Vega Baja, em Porto Rico. Antes de alcançar projeção internacional na música, trabalhou como empacotador em um supermercado enquanto cursava a faculdade. Filho de uma professora e de um caminhoneiro, cresceu em um ambiente familiar de classe trabalhadora.
O primeiro reconhecimento veio com a divulgação de músicas em plataformas digitais, o que o inseriu no cenário da música urbana latina. Com o avanço da carreira, suas produções passaram a reunir diferentes referências musicais. As letras abordam vivências individuais, situações sociais e práticas culturais associadas à América Latina; o repertório inclui faixas voltadas à celebração e composições que tratam de perdas familiares e da relação com o local de origem.
Uma cadeira, diferentes culturas
O álbum Debí Tirar Más Fotos — que pode ser traduzido como “Eu devia ter tirado mais fotos” — se constrói como uma reflexão sensível sobre o luto, os instantes que escapam ao registro e a necessidade de preservar lembranças, principalmente daquelas pessoas que já faleceram. A partir dessa proposta, fãs latino-americanos passaram a compartilhar imagens de cadeiras plásticas simples, objetos comuns em casas e eventos familiares em toda a região.
Presentes em cozinhas, quintais e nas calçadas, essas cadeiras carregam um forte valor simbólico: remetem à infância, às refeições em família e aos encontros cotidianos que marcam a vida de gerações. Ao circular nas redes, as imagens reforçam a dimensão afetiva do álbum e ajudam a traduzir, de forma visual, o caráter íntimo e coletivo da obra, que dialoga diretamente com experiências compartilhadas entre latinos.
Fotos compartilhadas por internatas em diversos países da America Latina. Foto: Reprodução / Redes Sociais
A faixa DtMF tornou-se um dos maiores sucessos do álbum, alcançando o topo de paradas globais e cimentando sua presença cultural na música mundial.
Repercussão no Brasil e impacto social
No Brasil, a vitória de Bad Bunny foi além do Grammy e ganhou um sentido afetivo. A estética do álbum, especialmente o símbolo das cadeiras de plástico, encontrou impacto imediato na rotina das famílias brasileiras, rapidamente se destacando entre os países que mais reproduziram o álbum no Spotify. Somadas às letras que abordam luto e nostalgia, essas imagens contribuíram para transformar o disco em um verdadeiro espelho emocional para o público, em um período em que sentimentos como pertencimento e saudade atravessam o cotidiano de muitas pessoas.
Essa identificação também se fortalece pela relação declarada do artista com o país. Bad Bunny já afirmou diversas vezes que tem carinho especial pelo Brasil e que está animado para ter experiências musicais, culturais, sociais e espirituais no país. O artista também contou que cresceu assistindo aos programas de Xuxa e chegou a usar peças de roupas da marca criada por Sasha Meneghel, filha da apresentadora. Detalhes que, para muitos fãs, ajudam a explicar por que sua música soa tão próxima — mesmo vindo de outra ponta do continente.
Não sei por quê, mas sempre sonhei em visitar o Brasil desde criança. É um dos poucos lugares para onde ainda não viajei.
Contexto político e cultural em 2026
A vitória de Bad Bunny no Grammy ocorreu em um momento de forte tensão política nos Estados Unidos. Conhecido por posicionamentos firmes ao longo da carreira, o artista voltou a usar o palco para criticar políticas migratórias e as ações do ICE, reafirmando a defesa de imigrantes e das comunidades latinas — uma fala que rapidamente repercutiu nas redes sociais e na imprensa internacional.
Esse histórico de engajamento já havia provocado reações antes da cerimônia, incluindo críticas públicas do presidente Donald Trump, que se declarou contrário à sua presença no Super Bowl LX Halftime Show, o evento mais assistido do mundo. Trump chegou a dizer que Bad Bunny “semearia ódio” e que sua escolha para o evento era “ridícula”.
Domínio global no streaming
Além do desempenho no Grammy, Bad Bunny encerrou 2025 como o artista mais ouvido do mundo no Spotify. No período, acumulou quase 20 bilhões de reproduções globais na plataforma, superando nomes como Taylor Swift. O resultado repete marcas já alcançadas pelo cantor em anos anteriores e confirma seu alcance em escala internacional.
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