A estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Rio de Janeiro, neste domingo (15), transformou a Marquês de Sapucaí em um palco de forte narrativa biográfica e política. Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação percorreu a trajetória do atual presidente, desde suas origens como retirante de Garanhuns até a consagração como líder sindical no ABC paulista e sua ascensão ao Palácio do Planalto.

O desfile não se limitou à exaltação, trazendo representações críticas de momentos marcantes da história recente, como o impeachment de Dilma Rousseff, simbolizado por uma alegoria de Michel Temer retirando a faixa presidencial, e as batalhas judiciais de Lula. Em uma das passagens mais comentadas, a escola retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro como o palhaço Bozo, preso e utilizando tornozeleira eletrônica, em alusão às investigações sobre tentativa de golpe. Do camarote, Lula assistiu à sua própria história ser contada ao lado de Janja, Geraldo Alckmin e Eduardo Paes.

A noite de abertura do Carnaval carioca seguiu com a Imperatriz Leopoldinense, que coloriu a avenida com o enredo “Camaleônico”, uma celebração à estética teatral e transgressora de Ney Matogrosso. O desfile revisitou desde o impacto dos Secos & Molhados até a carreira solo do artista, utilizando alegorias ricas em simbolismo e performance.

Logo depois, a Portela invadiu a Sapucaí com o “Mistério do Príncipe do Bará”, mergulhando fundo na ancestralidade e na espiritualidade afro-brasileira sob o olhar atento de sua águia majestosa. Encerrando a primeira jornada, a Estação Primeira de Mangueira levou o público em uma viagem à Amazônia negra através da figura do Mestre Sacaca, unindo os encantos tucujus ao batuque tradicional da verde e rosa em uma celebração à cultura do Norte do país.

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