As fortes chuvas que atingem Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, deixaram 16 mortos e 440 pessoas desabrigadas. Na madrugada desta terça-feira (24), o município decretou estado de calamidade pública, e as aulas foram suspensas em todas as escolas da rede municipal. O Corpo de Bombeiros também realiza buscas por pelo menos 43 desaparecidos.
O volume de chuva acumulado em fevereiro chegou a 584 milímetros, o dobro do esperado para o mês, provocando o desabamento de dezenas de casas. O cenário é crítico no bairro Parque Burnier, onde 20 pessoas sumiram sob os escombros de 12 residências, e no bairro Cerâmica, onde equipes de resgate tentam localizar uma família inteira soterrada.
A violência das águas também castigou Ubá, que contabiliza sete mortes e quatro desaparecidos após o transbordamento do ribeirão que corta a cidade. A força da enxurrada foi tamanha que caixões de uma funerária foram arrastados pelas ruas do Centro, em imagens que chocaram moradores.
Em Matias Barbosa, o prefeito também decretou calamidade para acelerar o socorro às famílias ilhadas.
O governo de Minas e o governo federal já mobilizaram forças de segurança, cães de busca e helicópteros para auxiliar no resgate, enquanto o Exército Brasileiro foi acionado para desobstruir vias tomadas por lama e árvores caídas.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, classificou a data como "o dia mais triste" de sua gestão, suspendendo as aulas e decretando luto oficial de três dias. O presidente Lula e o governador Romeu Zema manifestaram solidariedade às vítimas e garantiram apoio financeiro e logístico para a recuperação das cidades.
No momento, o foco total das autoridades está na localização dos desaparecidos e na retirada de cerca de 600 famílias de áreas de alto risco, já que a previsão meteorológica ainda indica possibilidade de novos temporais para a região.