
Faltando poucos dias para o julgamento da ação penal contra Jair Bolsonaro (PL), Polícia Federal (PF) identificou vulnerabilidades na segurança da residência do ex-presidente em Brasília, sugerindo que ele poderia escapar do local onde cumpre prisão domiciliar e alcançar a Embaixada dos Estados Unidos em poucos minutos.
A análise, divulgada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira (29), foi realizada com o auxílio de drones e revelou brechas nos muros traseiros do condomínio Solar de Brasília, permitindo uma possível fuga para o jardim de casas vizinhas.
Entenda o caso
Segundo o estudo, a tornozeleira eletrônica utilizada por Bolsonaro não seria suficiente para impedir uma evasão bem-sucedida. A PF alertou que o monitoramento eletrônico pode falhar temporariamente, oferecendo uma janela de oportunidade para uma fuga.
Além disso, a residência do ex-presidente está localizada a cerca de dez minutos da Embaixada dos Estados Unidos, facilitando o acesso caso ele consiga sair do condomínio sem ser detectado.
Em resposta a essas preocupações, a PF solicitou autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para manter agentes dentro da casa de Bolsonaro 24 horas por dia, visando eliminar qualquer possibilidade de evasão.
No entanto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou o pedido, considerando que as medidas atualmente em vigor, como a tornozeleira eletrônica, são suficientes para garantir o cumprimento da prisão domiciliar. Gonet também manifestou apoio ao reforço da segurança nas proximidades da residência e no controle de acesso ao condomínio.
Risco de fuga
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, já havia destacado anteriormente o risco de fuga de Bolsonaro, citando as "ações incessantes" do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos como indicativo de uma possível tentativa de evasão.
Em agosto, Moraes deu 48 horas para que a defesa de Bolsonaro se manifestasse sobre o descumprimento de medidas cautelares, incluindo o pedido de asilo à Argentina encontrado no celular do ex-presidente.
Além disso, a PF identificou que Bolsonaro passou dois dias na Embaixada da Hungria em fevereiro de 2024, após ter o passaporte retido pela Polícia Federal no contexto de investigações relacionadas a uma suposta trama golpista. Essa estadia ocorreu apesar de Bolsonaro estar proibido de se comunicar com diplomatas estrangeiros e de se aproximar de embaixadas, conforme determinação do STF.
O julgamento da ação penal contra Bolsonaro está previsto para começar nos próximos dias no STF, e a situação jurídica do ex-presidente continua a ser monitorada de perto pelas autoridades.
Fonte: Brasil 247