Uma pesquisa publicada na revista Nature Medicine revelou que a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan mantém uma eficácia sólida por pelo menos cinco anos após a aplicação de uma única dose.
O estudo de fase 3, realizado com mais de 16 mil voluntários no Brasil, demonstrou que o imunizante reduz em 80,5% o risco de formas graves da doença ou com sinais de alarme. A proteção geral contra a dengue sintomática ficou em 65%, mostrando-se eficaz tanto em pessoas que já tiveram a doença (77,1%) quanto naquelas que nunca foram infectadas (58,9%).
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm, destaca que o principal mérito da vacina é evitar hospitalizações e mortes, comportamento comum em imunizantes contra vírus como Covid-19 e gripe.
Um dado relevante do estudo é que nenhum caso grave de dengue foi registrado entre os vacinados durante o acompanhamento, ao contrário do grupo que recebeu placebo. Além disso, a segurança do imunizante foi confirmada, sem indícios de que a vacina pudesse agravar uma infecção futura, uma preocupação central em tecnologias voltadas para o combate aos quatro sorotipos do vírus.
Embora os testes em laboratório indiquem produção de anticorpos para todos os tipos de dengue, a eficácia prática contra os sorotipos 3 e 4 ainda não pôde ser totalmente validada no Brasil devido à baixa circulação desses tipos durante o estudo. Os especialistas reforçam que, apesar do avanço científico, a vacinação não substitui o combate direto ao mosquito Aedes aegypti. A estratégia ideal para controlar a transmissão e reduzir o impacto da doença no sistema de saúde combina a imunização em massa com a eliminação constante dos criadouros do vetor.
Fonte: g1