Saúde

RISCO À SAÚDE

Professora é suspeita de furtar vírus de alto risco para a saúde de laboratório da Unicamp

Professora suspeita responde em liberdade após decisão da Justiça; material biológico foi encontrado em diferentes laboratórios

Da Redação

Quarta - 25/03/2026 às 11:06



Foto: Reprodução/Arquivo pessoal Polícia Federal investiga desaparecimento de amostras de vírus em laboratório de alta segurança da Unicamp.
Polícia Federal investiga desaparecimento de amostras de vírus em laboratório de alta segurança da Unicamp.

As amostras de vírus desaparecidas do laboratório de virologia da Unicamp estavam armazenadas em uma área classificada como nível 3 de biossegurança (NB-3), considerada de alta contenção e com protocolos rigorosos para o manuseio de agentes infecciosos no Brasil.

A informação consta no Termo de Audiência que concedeu liberdade provisória à professora doutora Soledad Palameta Miller, investigada pelo desaparecimento do material. Ela vai responder por expor a perigo a vida e a saúde de terceiros, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e fraude processual, conforme decisão da Justiça Federal.

Segundo a classificação de risco, agentes NB-3 apresentam alto risco individual e risco moderado à coletividade, podendo causar doenças graves ou letais, com possibilidade de transmissão pelo ar. Entre os exemplos estão o Bacillus anthracis e o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Atualmente, o Brasil ainda não possui laboratório NB-4 em funcionamento — o primeiro, chamado Orion, está em construção em Campinas, com previsão de entrega em 2027.

A prisão em flagrante da pesquisadora ocorreu na segunda-feira (23), após a Polícia Federal localizar as amostras em laboratórios da própria universidade utilizados por ela. Na decisão judicial, o material — que estava sob sigilo — foi identificado como vírus.

A defesa da docente sustenta que não há comprovação material das acusações e afirma que ela utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria.

Com a liberdade provisória, a professora deverá cumprir medidas impostas pela Justiça, como comparecimento mensal à 9ª Vara Federal, pagamento de fiança equivalente a dois salários mínimos e restrições de deslocamento, incluindo a proibição de deixar Campinas por mais de cinco dias ou sair do país sem autorização. Também está impedida de acessar os laboratórios investigados.

Investigação e cronologia

O caso começou em 13 de fevereiro de 2026, quando uma pesquisadora percebeu o desaparecimento de caixas com amostras virais no Laboratório de Virologia Animal do Instituto de Biologia.

Após investigações, no dia 23 de março, a Polícia Federal encontrou o material em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde Soledad atuava. No mesmo dia, os espaços foram interditados para cumprimento de mandados judiciais e a pesquisadora foi presa. Já no dia seguinte (24), a Justiça concedeu liberdade provisória e confirmou que o material se tratava de vírus.

Riscos e irregularidades

As apurações indicam que, sem acesso autorizado a áreas restritas, a professora utilizava uma orientanda para entrar nos laboratórios, inclusive em fins de semana.

Além disso, o transporte e armazenamento das amostras teriam ocorrido em locais sem controle adequado, com descarte de material em lixeiras comuns. Segundo a Justiça, a situação representou risco direto à saúde de terceiros.

Onde o material foi localizado

As amostras foram encontradas em três pontos distintos dentro da universidade:

  • Na Faculdade de Engenharia de Alimentos, em caixas armazenadas em freezer lacrado;
  • No Laboratório de Doenças Tropicais, com tubetes manipulados e material descartado;
  • No Laboratório de Cultura de Células, onde frascos foram encontrados em lixeiras.

Posicionamento da universidade

A Unicamp informou que abriu uma sindicância interna para apurar o caso. A instituição também destacou que acionou a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diante da gravidade da situação.

Fonte: G1 Globo

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