O Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu, em Teresina, tem um déficit de 150 profissionais, dos quais 105 são da área de enfermagem, o que impede a instituição de oferecer assistência em condições mínimas de segurança e dignidade. A informação do Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) foi repassada ao Ministério Público do Piauí durante audiência para discutir a situação da unidade após a morte de um paciente em fevereiro. O encontro reuniu representantes da direção do hospital, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) e de órgãos de controle na semana passada.
O Coren-PI informou ainda que o hospital opera com uma falta aproximada de 150 trabalhadores em seu quadro geral. A chefe do Departamento de Gestão do Exercício Profissional do conselho, Andressa Sindeaux, informou que a fiscalização identificou profissionais exercendo funções que extrapolam suas atribuições, um problema que agrava os riscos assistenciais.
Representantes do hospital denunciaram que há casos recorrentes de agressões a funcionários
Representantes do Hospital Areolino de Abreu denunciaram que há casos recorrentes de agressões a funcionários e que a unidade não dispõe de uma equipe treinada para realizar a contenção mecânica de pacientes que chegam em quadro de surto. Os trabalhadores também relataram a entrada de armas brancas e drogas nas dependências do hospital e reivindicaram a presença de policiais militares em regime de plantão. O diretor administrativo do hospital, Marcos Vinícius de Sousa, acrescentou que há dificuldade para cobrir plantões com médicos qualificados em psiquiatria, o que faz com que as funções sejam assumidas por profissionais que possuem apenas pós-graduação na área.
A situação estrutural também foi debatida. A diretoria de engenharia da Sesapi informou que o hospital passa por reformas, previstas para serem concluídas até outubro de 2026. Sobre as medidas futuras, o diretor da Unidade de Descentralização e Organização Hospitalar, Anderson Dantas, comprometeu-se a elaborar um estudo técnico no prazo de uma semana para tentar viabilizar a alocação de novos profissionais.
O Hospital Areolino de Abreu conta atualmente com 160 leitos e possui uma ocupação de 148 pacientes. Diante dos fatos apresentados, a promotora Débora Aragão propôs a elaboração de uma matriz de risco como ferramenta para garantir a segurança física e institucional da unidade. A audiência também contou com a presença de representantes do Tribunal de Justiça do Piauí, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Regional de Medicina.
Durante a audiência, a promotora de Justiça Débora Geane Aguiar Aragão, da 12ª Promotoria de Justiça de Teresina, alertou que a ausência de providências aumenta a possibilidade de novos casos, inclusive com riscos para a integridade dos profissionais que trabalham no hospital.
Fonte: Ministério Público do Piauí
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