Essa quinta-feira (25) foi marcada por um dos episódios mais tensos nas relações hemisféricas recentes: um tiroteio em águas territoriais cubanas entre forças da Guarda Costeira de Cuba e uma lancha registrada na Flórida, Estados Unidos. O confronto deixou quatro mortos e seis feridos após barco americano abrir fogo contra os soldados cubanos durante interceptação.
O caso deixou de ser apenas um incidente marítimo e ganhou repercussão internacional após a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, sair em defesa de Cuba. Aliada histórica da ilha desde a Guerra Fria, Moscou classificou o confronto como “uma provocação agressiva dos EUA, com o objetivo de agravar a situação e desencadear um conflito”, acusando Washington de tentar ampliar a crise e acirrar as tensões na região.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a situação em torno de Cuba está se agravando e defendeu a atuação das autoridades da ilha. Segundo ele, os guardas de fronteira cubanos fizeram o que deveriam ter feito porque a lancha invadiu as águas do país.
Peskov também destacou o que chamou de “componente humanitário” do episódio, afirmando que todas as questões humanitárias relacionadas aos cidadãos cubanos devem ser resolvidas, e ninguém deve criar obstáculos.
O incidente ocorreu em meio a uma escalada de tensões entre EUA e Cuba. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem pressionado a ilha após determinar um embargo ao envio de petróleo ao país — medida que, na prática, busca impedir que outras nações forneçam combustível a Cuba. Como o petróleo é fundamental para a geração de energia elétrica, a restrição impacta diretamente o abastecimento energético e agrava a já delicada crise de fornecimento de luz no território; ampliando o impacto sobre a população civil.
A declaração russa insere o episódio em um contexto mais amplo de disputa entre grandes potências. Enquanto os Estados Unidos afirmam que irão investigar o caso de forma independente e negam envolvimento direto na ação, Moscou reforça críticas ao que classifica como postura cada vez mais beligerante de Washington nas proximidades de um aliado histórico.
O cenário reacende lembranças da Guerra Fria e reposiciona Cuba no centro de um embate geopolítico sensível entre Washington e o Kremlin.
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