Economia

AINDA SEM REEMBOLSO

Liquidação do Will Bank trava dinheiro de milhões de clientes que esperam reembolso

Instituição ligada ao Banco Master é encerrada pelo BC; clientes com mais de R$ 1 mil em conta de pagamento enfrentam espera sem prazo para reembolso

Da Redação

Quinta - 26/02/2026 às 17:45



Foto: Will Bank/Divulgação Aplicativo e cartão do Will Bank
Aplicativo e cartão do Will Bank

O efeito cascata da crise no Banco Master atingiu em cheio o Will Bank, deixando cerca de 12 milhões de clientes em uma situação de extrema vulnerabilidade. Com forte presença no Nordeste, onde se concentra 60% de sua base, o banco digital teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central após não conseguir um comprador.

 O bloqueio repentino dos saldos pegou milhares de famílias de surpresa, muitas das quais utilizavam a conta para despesas essenciais como aluguel, luz e alimentação, resultando em relatos dramáticos de inadimplência e dificuldades básicas de sobrevivência.

Embora o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tenha antecipado o pagamento para quem possuía até R$ 1 mil, aqueles com valores superiores ou investimentos em CDBs enfrentam um rito mais complexo.

O que se sabe é que o reembolso será dividido em duas partes. Investidores em CDBs e letras de crédito (LCIs e LCAs) do Will Bank estão cobertos pelo FGC que funciona como um tipo de seguro e cobre perdas de até R$ 250 mil por instituição.

Já os clientes comuns utilizavam contas de pagamento, que não têm cobertura do FGC. Ainda assim, pela lei, os valores são mantidos no Banco Central — ou seja, o dinheiro fica separado do patrimônio do Will Bank e deverá ser devolvido integralmente, sem limite por pessoa.

A questão é que a devolução só deve começar após o liquidante do banco, nomeado pelo Banco Central, concluir a lista oficial de credores — o que ainda não ocorreu nem tem prazo para acontecer.

O que fazer?

Apesar da liquidação, o aplicativo do Will Bank ainda permite visualizar saldos, limites e valores a pagar. No entanto, operações como transferências, PIX e pagamentos não são concluídas. Especialistas orientam os clientes a guardar extratos, comprovantes de saldo e registros das movimentações na data da liquidação, além de acompanhar as comunicações do Banco Central, do liquidante e do FGC.

Em situações de urgência, como a falta de recursos para despesas básicas, também é possível recorrer à Justiça. Aações individuais podem ser uma alternativa quando há demora excessiva ou falta de resposta do liquidante, inclusive com pedidos dirigidos à administração da liquidação.

Por lei, esse dinheiro deve ficar separado do patrimônio da empresa e ser devolvido integralmente ao cliente, mas o processo depende da finalização da lista oficial de credores pelo liquidante, tarefa que não possui um prazo definido para conclusão.

Fonte: g1 Economia

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