Política

JULGAMENTO

Julgamento da extradição de Carla Zambelli tem pausa e será retomado nesta 5ª feira (12)

Carla Zambelli fugiu do Brasil logo após ser condenada a 10 anos de prisão por patrocinar hacker para invadir o sistema do CNJ

Da Redação

Quarta - 11/02/2026 às 17:58



Foto: Redes sociais Carla Zambelli sofreu nova derrota na Justiça Italiano
Carla Zambelli sofreu nova derrota na Justiça Italiano

A 4ª Seção Penal da Corte de Apelação de Roma interrompeu hoje o julgamento que decidirá sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. A sessão será retomada amanhã.

Nesta quarta-feira (11), falaram o procurador Erminio Amelio e o advogado de defesa de Zambelli Pieremilio Sammarco. A interrupção foi motivada por falta de tempo. Amanhã, falarão Angelo Sammarco, que também defende a ex-deputada, e Alessandro Gentiloni, representante da AGU (Advocacia-Geral da União), do Brasil.

A audiência de hoje, que teve início às 7h (de Brasília), aconteceu a portas fechadas. Zambelli chegou por volta das 6h30 e entrou pelo corredor central, com passos lentos e visivelmente abalada. Ela foi acompanhada por uma policial até a sala de audiência. A reportagem do UOL tentou falar com a ex-deputada antes que entrasse na sala, mas ela disse que é proibido. O marido da ex-deputada, coronel Aguinaldo, chegou por volta das 6h e não pôde acompanhar a audiência.

Procurador italiano disse que "estão tentando instrumentalizar politicamente o processo". Erminio Amelio foi o primeiro a falar, e sua exposição durou mais de duas horas. Ele comentou sobre a interrogação parlamentar, à qual o UOL teve acesso na semana passada, que questiona se o ministro da Justiça vai extraditar Zambelli.

Zambelli está presa desde julho de 2025 na Penitenciária Feminina de Rebibbia, na capital italiana. Ela foi detida com base em um pedido de prisão preventiva emitido pela Justiça brasileira. O processo de extradição enfrenta um trâmite jurídico prolongado. A defesa tenta impedir a transferência para o Brasil, argumentando que o sistema prisional brasileiro não oferece garantias aos seus direitos humanos.

Diante do questionamento, a corte italiana solicitou ao governo brasileiro esclarecimentos sobre as condições de custódia. O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil enviou um relatório detalhado, assegurando que Zambelli cumprirá a prisão no Presídio Feminino de Brasília, conhecido como "Colmeia". As garantias foram consideradas suficientes pelos magistrados, que rejeitaram os argumentos da defesa.

Advogados de Zambelli utilizaram recursos e estratégias processuais para postergar audiências e ganhar tempo. A tática, segundo interlocutores, é manter a ex-parlamentar o maior tempo possível em solo italiano, diminuindo o cumprimento de pena no Brasil.

O STF condenou Zambelli em dois processos. Ambos estão com trânsito em julgado (sem possibilidade de novos recursos), o que torna imediato o início do cumprimento da pena. Ela tem a cumprir:

Dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes no sistema da Justiça;

Cinco anos e três meses de prisão por sacar uma arma e perseguir um homem em São Paulo, na véspera da eleição presidencial de 2022.

Zambelli renunciou ao mandato em 14 de dezembro. Após a CCJ votar pela cassação dela, o plenário da Câmara decidiu manter o mandato. Mas o STF anulou a sessão da Câmara, e a reação de Zambelli foi apresentar sua carta de renúncia.

Fonte: Uol

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