Polícia

CARBONO OCULTO 86

MPPI vai recorrer da anulação de investigação sobre donos de postos ligados ao PCC

Juiz usou decisão do STF para anular inquérito que investiga os empresários Haran Santhiago e Danilo Coelho, donos dos postos HD e Diamantes

Da Redação

Quarta - 15/04/2026 às 15:45



Foto: SSP-PI Interdição de postos de combustível durante Operação Carbono Oculto 86
Interdição de postos de combustível durante Operação Carbono Oculto 86

O Ministério Público do Piauí (MPPI) afirmou que vai recorrer da decisão judicial que determinou o arquivamento da investigação central da Operação Carbono Oculto 86. Em nota, o órgão classificou a medida como juridicamente inválida, pois foi tomada por um juiz que já não tinha competência sobre o caso. A decisão questionada foi proferida pelo juiz Valdemir Ferreira Santos, que acolheu argumentos das defesas dos empresários Haran Santhiago e Danilo Coelho, donos dos postos HD e Diamantes.

Segundo o MP, como a denúncia contra o esquema já havia sido formalizada, a competência para decidir sobre o caso pertencia ao juízo da instrução e julgamento, e não mais à Central de Inquéritos, o que tornaria o trancamento do processo uma nulidade absoluta.

A decisão não tem qualquer validade jurídica por ter sido proferida por juízo absolutamente incompetente. Isso porque, no momento em que foi prolatada, já havia denúncia apresentada em procedimento correlato, o que, conforme a legislação processual penal e o julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade, encerra a competência do juízo das garantias e transfere a análise do caso ao juízo da instrução e julgamento. O Ministério Público sustenta que, nessas circunstâncias, qualquer deliberação posterior, especialmente medida extrema como o trancamento da investigação, deveria ter sido submetida ao juízo competente para a fase processual. Por essa razão, entende que a decisão apresenta nulidade absoluta e deve ser revista

A Justiça acolheu argumentos das defesas de empresários investigados, que alegaram que teria havido compartilhamento indevido de relatórios do Coaf (Conselho do Controle de Atividades Financeiras). Com isso, o inquérito foi trancado e os relatórios compartilhados nele anulados. O juiz citou a decisão do ministro Alexandre de Moraes que restringiu compartilhamento de relatórios do Coaf com as CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) para determinar o arquivamento da investigação.

Para o magistrado estadual, ficou demonstrado nos autos que houve compartilhamento de relatórios de atividades financeiras com os investigadores sem haver submetido o inquérito ao juiz do caso e também que foi solicitado relatório ao Coaf sem haver outros elementos investigativos necessários para embasar o pedido. A investigação foi instaurada em setembro, mas só foi protocolada ao juiz em março.

No entanto, o MPPI rebateu essa tese, esclarecendo que os relatórios foram solicitados apenas como instrumento complementar após a existência de indícios concretos e a abertura oficial do inquérito policial.

Apesar do trancamento dessa etapa específica, o Ministério Público enfatiza que a Operação Carbono Oculto 86, que investiga a lavagem de dinheiro do PCC por meio de postos de combustíveis e construtoras, permanece válida. 

O órgão reforçou que a denúncia principal não se baseia apenas nos documentos anulados, mas em um conjunto amplo e robusto de provas, incluindo dados fiscais e telemáticos. O MPPI agora aguarda o julgamento do recurso para retomar integralmente as apurações e garantir a responsabilização dos envolvidos.

É a primeira vez que as defesas conseguem anular uma parte da investigação da operação Carbono Oculto.

 O portal Uol teve acesso a trechos da decisão, que está sob sigilo e divulgou que ao trancar esse inquérito, o juiz mandou anular todos os relatórios do Coaf e outros elementos produzidos na investigação. Foram excluídas de outras investigações as provas e análises produzidas no inquérito anulado. 

O juiz ainda criticou "postura midiática" de promotores do MP do Piauí. Responsável pela denúncia da Carbono Oculto 86, o MP estadual realizou uma coletiva de imprensa para explicar a acusação que foi apresentada à Justiça em março deste ano. Para o juiz, esta divulgação poderia configurar "violação gravíssima ao sigilo investigativo e ao devido processo legal"

Fonte: MPPI e Uol

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