Os 12 investigados da Operação Carbono Oculto 86, envolvendo as Redes de Postos HD e Diamante, foram denunciados formalmente pelo Ministério Público do Piauí (MPPI), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O grupo é suspeito de usar postos, empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro, cerca de R$ 5 bilhões, para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os investigados estão os empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa.
Segundo o Ministério Público, os alvos são suspeitos de crimes como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento de consumidores, falsidade ideológica e lavagem de capitais. Conforme as investigações, os crimes ocorriam desde 2016. Os consumidores já vinham percebendo irregularidades e chegaram a registrar boletins de ocorrência relatando danos nos veículos e valores abusivos. O Ministério Público detalhou uma série de fraudes confirmadas por órgãos como o IMEPI/INMETRO, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Procon do Ministério Público do Estado do Piauí ao longo da última década:
Combustível "Batizado": adulteração na qualidade do produto vendido;
Bomba Baixa: fraude na quantidade de combustível (o consumidor pagava por um volume e recebia menos no tanque);
Laranjas e Lavagem de Dinheiro: uso de nomes falsos e empresas de fachada para esconder a origem do dinheiro e fingir que o lucro era legal;
Falsidade Ideológica: fraudes em documentos para enganar a fiscalização.
Bloqueio de bens e interdição
A Justiça determinou que os postos envolvidos continuem interditados e que as contas bancárias dos denunciados permaneçam bloqueadas. A medida visa impedir que o grupo continue cometendo crimes e garantir que haja recursos para pagar futuras multas e indenizações.
Além da prisão dos envolvidos, o Ministério Público pede que os acusados paguem uma indenização de R$ 74,2 milhões por danos morais coletivos, como forma de compensar a sociedade piauiense pelos anos de fraudes no abastecimento.
O processo agora aguarda a decisão do Poder Judiciário para que os denunciados se tornem réus oficialmente. O MPPI também solicitou a retirada do sigilo do caso para que a população tenha acesso a todos os detalhes das investigações.
Fonte: MPPI