Polícia

AGRESSÃO

Delegada alerta para importância da denúncia para prevenir feminicídios no Piauí

Natália Figueiredo afirma que vizinhos e familiares também devem procurar as autoridades em casos de violência contra a mulher

Dulce Luz

Quinta - 05/03/2026 às 16:40



Foto: Para a delegada, o silêncio diante da violência contra a mulher contribui para que o problema continue
Para a delegada, o silêncio diante da violência contra a mulher contribui para que o problema continue

A denúncia de casos de violência contra a mulher pode salvar vidas e não deve ser feita apenas pela vítima. Vizinhos, familiares e qualquer pessoa que presencie situações de agressão também podem e devem acionar as autoridades. O alerta é da delegada Natália Figueiredo, titular da Delegacia Especializada de Feminicídio em Teresina. Em entrevista ao podcast do Portal Piauí Hoje, conduzido pela jornalista Malu Barreto, a delegada destacou que muitas mulheres deixam de denunciar por medo ou dependência do agressor, e por isso a participação da sociedade é essencial.

“Antigamente existia aquela ideia de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Quantas mulheres morreram por causa disso? O que não pode é ficar calado”, afirmou. Segundo ela, existem vários canais para registrar denúncias, inclusive de forma anônima. “Às vezes a pessoa não quer se identificar porque é vizinho ou parente. Mas pode denunciar pelo 180, pelo Disque 100 ou acionar a Polícia Militar pelo 190. A polícia vai até o local para averiguar a situação”, explicou.

Delegada diz que vizinhos, familiares e qualquer pessoa que presencie situações de agressão devem denunciar

Para a delegada, o silêncio diante da violência contribui para que o problema continue. “Quando eu me calo, quando eu não me intrometo, eu estou sendo conivente”, disse. Dados mostram que muitas vítimas não chegam a buscar ajuda antes de serem mortas. De acordo com Natália Figueiredo, a maioria dos casos de feminicídio registrados no estado ocorreu sem que a vítima tivesse procurado a polícia. “Dos 38 casos registrados em 2025, cerca de 88% das vítimas não registraram boletim de ocorrência e não pediram medida protetiva”, afirmou.

Mesmo com a redução nos números, a delegada afirma que o cenário ainda preocupa. “Quando a gente observa os dados, tivemos 38 casos em 2025 e 40 em 2024. Houve uma redução de cerca de 5%. É importante, porque cada vida salva importa, mas ainda temos muito a avançar, principalmente na prevenção”, disse.

Delegada Natália Figueiredo e a jornalista Malu Barreto,

O feminicídio é o assassinato de mulheres motivado pela condição de gênero. A legislação brasileira prevê o crime no Código Penal e considera feminicídio quando a morte ocorre em contexto de violência doméstica ou por menosprezo e discriminação contra a mulher. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou mais de 1.400 feminicídios em 2023, o maior número desde que o crime passou a ser contabilizado nacionalmente. A maioria das vítimas é morta por companheiros ou ex-companheiros.

Acompanhe a entrevista completa no canal do Portal Piauí Hoje no Youtube, clicando abaixo:

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