A Corte de Apelação de Roma encerrou nesta quinta-feira (12), a análise do mérito sobre o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli e comunicará a sentença nos próximos dias. A decisão desta fase do processo na Justiça italiana ainda não é definitiva. Tanto a defesa da ex-parlamentar quanto o Ministério Público da Itália já indicaram que vão recorrer à Corte de Cassação, a última instância no país, independentemente do resultado.
A analise do mérito foi concluída, mas a corte pode pedir mais documentos. Segundo o representante da AGU (Advocacia-Geral da União), a corte pode decidir aceitar ou negar a extradição ou ainda pedir documentos adicionais para embasar a decisão.
Já a defesa de Zambelli, a corte pedirá mais informações sobre a Colmeia, prisão para onde a ex-deputada deve ser enviada ao ser extraditada ao Brasil. A defesa argumenta que as informações e fotos enviadas pelo STF estão incompletas.
Há ainda um recurso paralelo sobre a imparcialidade dos juízes. A defesa pede a substituição do colegiado atual, pedido negado anteontem, e o caso também deve seguir para a Corte de Cassação nos próximos três meses.
A audiência ocorreu a portas fechadas e durou algumas horas. Falaram Angelo Sammarco, advogado de Zambelli, e Alessandro Gentiloni, representante da AGU (Advocacia-Geral da União); o marido da ex-deputada aguardou do lado de fora.
Argumentos no tribunal
A defesa questionou as condições da prisão brasileira para a qual Zambelli pode ser transferida. Angelo Sammarco alegou falta de informações sobre a estrutura da Penitenciária Colmeia para que a ex-deputada tenha acesso ao tratamento que necessita, por conta de seus problemas de saúde. O advogado também argumentou que o julgamento no Brasil feriu direitos fundamentais.
Brasil defendeu a legalidade do processo original. Alessandro Gentiloni, pela AGU, afirmou que não houve motivação política. "Todos os padrões internacionais e brasileiros do devido processo legal foram respeitados. Os processos foram conduzidos com equilíbrio", disse o representante.
Prisão e manobras da defesa
Zambelli está presa em Roma desde julho de 2025. Ela ocupa uma cela na Penitenciária Feminina de Rebibbia há quase seis meses, após a corte identificar risco de fuga e negar pedidos de liberdade provisória.
A defesa tem usado estratégias para adiar o desfecho. Foram dez audiências no total, incluindo tentativas de mudar a custódia e pedidos de substituição dos juízes, o que estendeu o trâmite processual até agora.
Fonte: UOL