A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nessa quinta-feira (25) uma resolução histórica que classifica o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade. A medida teve amplo apoio internacional, com 123 países votando a favor.
Apesar da maioria expressiva, três países votaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina. Já outras nações, principalmente da União Europeia, optaram por se abster.
EUA, Israel e Argentina votam contra ONU classificar tráfico de escravizados como maior crime contra humanidade. (Foto: Reprodução)
A proposta foi liderada por países africanos e busca reconhecer a dimensão histórica da escravidão, destacando sua escala, violência e impactos que ainda permanecem no mundo atual.
O que muda na prática?
A resolução não tem efeito jurídico obrigatório — ou seja, não cria leis nem punições automáticas. Ainda assim, tem forte peso político e simbólico, servindo como posicionamento oficial da comunidade internacional.
Durante a votação, o presidente de Gana, John Dramani Mahama, criticou países contrários, especialmente os Estados Unidos, e afirmou que a posição representa uma tentativa de “apagar a história” da população afetada pela escravidão. O governo ganês defendeu que a medida é necessária diante dos impactos duradouros do tráfico transatlântico, que retirou à força milhões de africanos do continente entre os séculos XV e XIX.
O ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Ablakwa, afirmou que o texto reforça a necessidade de responsabilização histórica.
Por que é importante?
O texto abre espaço para debates sobre reparações históricas, como indenizações e devolução de bens culturais retirados de países africanos durante o período colonial. A decisão é vista como um marco por reconhecer oficialmente que a escravidão não foi um episódio isolado, mas um sistema global estruturado, responsável por milhões de vítimas ao longo de séculos.
A votação marcou o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, lembrado em 25 de março. Além disso, reforça a ideia de que os efeitos desse período ainda influenciam desigualdades sociais e econômicas atuais, especialmente em países africanos e da diáspora.
Fonte: G1
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