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MINISTÉRIO DAS CIDADES

Solo instável e ocupação de lagoas ameaçam 28 mil moradores em Teresina, diz relatório

Mapa do Serviço Geológico do Brasil identificou 167 áreas de risco em Teresina, sendo 66 classificada como risco alto e sete como muito alto

Da redação

Sexta - 27/03/2026 às 15:55



Foto: Reprodução Relatório SBG Ocupação recente de terrenos inundáveis do Rio Parnaíba
Ocupação recente de terrenos inundáveis do Rio Parnaíba

Um novo mapeamento detalhado do Serviço Geológico do Brasil (SGB), feito pelo Ministério das Cidades e entregue à Prefeitura de Teresina nesta sexta-feira (27), acende um alerta vermelho para a capital. O Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) identificou que 28 mil moradores vivem em áreas de perigo geo-hidrológico. Ao todo, são 167 áreas de risco, sendo que sete foram classificados como de risco "muito alto", 66 como alto e 94 como de risco médio.

A fragilidade de Teresina tem explicação técnica: a cidade foi erguida entre os rios Parnaíba e Poti, sobre terrenos "moles" e alagadiços. O relatório aponta que o uso histórico de aterros e entulhos para cobrir antigas lagoas criou um solo instável.

 Em épocas de chuva, esse terreno pode ceder, causando erosões e colapsos que ameaçam "engolir" a base das moradias. Já nas áreas altas (Noroeste e Sudeste), o perigo são os deslizamentos e a queda de blocos de rocha sobre casas construídas ao pé de paredões.

Vista aérea do bairro Pedro Balzi com destaque para a escavação resultando em um paredão subvertical (Reprodução)
O documento destaca pontos onde a densidade populacional torna o risco ainda mais grave. No Residencial Torquato Neto III (Rua José Miguel Haddad), mais de 8 mil pessoas sofrem com alagamentos constantes. No bairro Lindalma Soares (Rua El Shaday), são 5,7 mil moradores expostos a inundações. As áreas de risco muito alto, que demandam atenção urgente, concentram-se em trechos dos bairros Santa Teresa, Bela Vista, Três Andares, Pedro Balzi e Poti Velho.

Outros bairros em risco alto incluem Angelim e Areias (zona Sul); Mocambinho e Mafrense (zona Norte); Vale Quem Tem e Pedra Mole (zona Leste); além de Itararé e Cidade Nova (zona Sudeste).

Soluções contra as mudanças climáticas

Diante da crise climática global, que torna as chuvas mais torrenciais, o SGB recomenda que Teresina modernize seu sistema de defesa. Isso inclui a instalação de radares meteorológicos para prever tempestades em tempo real e o reforço urgente nos diques e bombas de recalque. O objetivo é que a prefeitura utilize este mapa para priorizar obras de drenagem e, se necessário, o remanejamento seguro de famílias que vivem nos pontos mais críticos da capital.

Confira o documento

Relatorio-mapeamento.pdf

Fonte: Ministério das Cidades

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