As estações de passageiros de Teresina estão sendo utilizados como abrigo por pessoas em situação de rua. Na avenida Barão de Gurguéia, no bairro São Pedro, usuários relatam que o local foi tomado por redes e acampamentos improvisados, que permanecem montados até o final da manhã.
A ocupação tem gerado medo em quem precisa utilizar o transporte coletivo.
Uma passageira, que preferiu não se identificar, relatou o desconforto ao aguardar o ônibus por volta das 6h30.
É muito cedo, tem pouco policiamento e a gente nunca sabe o que pode acontecer. Aqui era para esperarmos com tranquilidade, mas encontramos vários homens dormindo, tem até rede. Quando estamos sozinhas, assusta bastante", revelou.
Moradores e donos de estabelecimento das proximidades revelam que a situação está assim já há alguns meses. "Começou apenas com uma pessoa, que todos os dias, chega a noite e monta a rede no local e só sai por volta das 10h. Agora mais pessoas estão utilizando o espaço e fazendo pequenos acampamentos", contou uma moradora

Inaugurado em 2018 com a promessa de modernizar a mobilidade urbana, o sistema Inthegra hoje amarga o cenário de deterioração e abandono. Planejado para atender as quatro zonas da capital com oito terminais interligados, custou aos cofres públicos cerca de R$ 776 milhões, segundo dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI). No entanto, o que deveria ser um equipamento climatizado e seguro hoje sofre com a depredação, falta de manutenção e portas automáticas que já não funcionam.
Insegurança e falta de policiamento
A queixa sobre o abandono das estações não é recente, mas tem se intensificado. Passageiros afirmam que a ausência de vigilância e a iluminação precária transformaram as paradas em pontos de vulnerabilidade. Enquanto as estruturas físicas se degradam, a população que financiou o sistema acaba buscando outros locais para esperar o transporte, evitando as estações projetadas justamente para o seu conforto.
A situação escancara a necessidade de uma ação conjunta entre as secretarias de assistência social e de segurança pública, para que as pessoas em situação de vulnerabilidade recebam o acolhimento necessário e o usuário do transporte recupere o direito de circular com segurança pela cidade.