A oferta de capacitações gratuitos tem aproximado mais pessoas do universo da meliponicultura, que é a criação de abelhas nativas sem ferrão. Além de gerar conhecimento, os cursos também incentivam práticas sustentáveis e ajudam a combater a desinformação sobre esses animais, muitas vezes vistos apenas como perigosos. Durante a entrevista ao Podcast Papo Eco, a bióloga e instrutora do Senar Sandra Souza explica que as abelhas são responsáveis por um processo essencial para a vida: a polinização. É por meio desse trabalho que flores se transformam em frutos, garantindo alimentos para humanos e outros animais. Sem as abelhas, a produção de alimentos seria diretamente afetada.
Em conversa com os apresentadores do programa, a educadora ambiental Naisis Castelo Branco e o biólogo Professor Ribamar Rocha, a especialista também destaca a relação entre as abelhas nativas e as plantas da região. Um exemplo é a imburana de cambão, árvore típica do Piauí que serve de abrigo e fonte de alimento para diversas espécies. Em uma única árvore, podem viver até 20 tipos diferentes de abelhas, mostrando a importância de preservar a vegetação nativa para manter esse equilíbrio. A planta é reconhecida por sua grande capacidade de adaptação às secas, soltando cascas finas que parecem papel e sendo um tesouro da biodiversidade local. É uma espécie que se propaga facilmente por estaquia e é ideal para projetos de reflorestamento em áreas degradadas.
Em uma única árvore, podem viver até 20 tipos diferentes de abelhas
Ela alerta que, mesmo com esse papel fundamental, as abelhas enfrentam uma queda preocupante. Entre as principais causas estão o desmatamento, as queimadas, o uso de agrotóxicos e as mudanças no clima. Esses fatores reduzem os locais de abrigo e interferem na disponibilidade de alimento, além de afetar o comportamento das abelhas. “Quando você desmata, você reduz tanto o alimento quanto os lugares onde elas vão morar. As queimadas também matam abelhas que vivem no solo, e os agrotóxicos podem matar ou deixar elas desnorteadas, sem conseguir voltar para a colmeia”, diz.
A bióloga e instrutora do Senar Sandra Souza alerta que as abelhas enfrentam uma queda preocupante
As consequências desse cenário já preocupam. “Nosso principal impacto seria na produção de alimentos, porque tudo depende da polinização. Se as abelhas diminuem, a produção também diminui”, alerta. Ela cita ainda que algumas culturas dependem de espécies específicas. “No caso do maracujá, por exemplo, quem faz a polinização é uma abelha específica. Sem ela, não tem fruto", alerta a especialista.
Snadra ressalta que a preservação das abelhas é responsabilidade de todos. “Se as abelhas falassem, elas diriam: plantem plantas nativas”, afirma. Segundo ela, atitudes simples podem contribuir para proteger esses insetos e garantir o equilíbrio da natureza.
Para acompanhar a entrevista completa, acesse o canal do Portal Piauí Hoje no Youtube, clicando abaixo:
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