Economia

MERCADO INTERNACIONAL

Petróleo sobe 10% com conflito no Irã e pode alcançar 100 dólares por barril

Alta é impulsionada pelo fechamento do Estreito de Hormuz e aumenta risco de pressão inflacionária global

Da Redação

Domingo - 01/03/2026 às 16:43



Foto: Raheb Homavandi/File Photo/Reuters Tocha de gás em uma plataforma de produção de petróleo nos campos de petróleo de Soroush é vista ao lado de uma bandeira iraniana no Golfo Pérsico, no Irã
Tocha de gás em uma plataforma de produção de petróleo nos campos de petróleo de Soroush é vista ao lado de uma bandeira iraniana no Golfo Pérsico, no Irã

O mercado internacional de petróleo sofreu um aumento expressivo nos preços neste domingo (1º), após os recentes ataques militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A referência global Brent, utilizada como referência para o petróleo no mundo, subiu cerca de 10% — chegando a aproximadamente US$ 80 por barril no mercado de balcão, reflexo direto da escalada das tensões no Oriente Médio. 

A principal razão para a alta foi o fechamento e interrupção na navegação do Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo — por onde passa cerca de mais de 20% de todo o óleo comercializado no mundo.

O diretor de energia e refino da ICIS, Ajay Parmar, destacou a importância estratégica da região e afirmou.

Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz. Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais próximos de US$100 por barril e talvez excedam esse nível se houver uma interrupção prolongada no Estreito.

Após os ataques e as advertências iranianas às embarcações, grandes empresas de navegação e petrolíferas suspenderam o trânsito de petroleiros, gás natural liquefeito e combustíveis pela região, aumentando os temores de escassez de oferta.

Especialistas de instituições financeiras e consultorias do setor energético afirmam que, se o conflito se prolongar e as rotas continuarem bloqueadas, o preço do petróleo pode ultrapassar os US$ 100 por barril — um patamar que não era visto de forma sustentável desde antes da queda dos preços no ano passado.

Organizações como o banco Barclays e analistas da Rystad Energy destacam que mesmo caminhos alternativos de transporte (como oleodutos que contornam Hormuz) podem não ser suficientes para compensar a perda líquida de milhões de barris por dia, intensificando a pressão sobre os preços.

A elevação do preço do petróleo provoca impactos em diversas frentes da economia global. Países importadores tendem a enfrentar aumento nos custos de energia e combustíveis, o que pressiona a inflação e encarece tanto o consumo quanto a produção industrial. Nos mercados financeiros, a volatilidade leva investidores a buscar ativos considerados mais seguros, como ouro e títulos do Tesouro dos Estados Unidos. 

Já economias emergentes, mais dependentes da importação de petróleo e derivados, podem registrar ampliação de seus déficits comerciais. O setor energético também sente os efeitos, com refinarias e indústrias reavaliando estoques e contratos diante do cenário de instabilidade. Em meio a esse contexto, a Opep+ anunciou um aumento de cerca de 206 mil barris por dia na produção a partir de abril, mas analistas avaliam que o volume pode não ser suficiente para compensar eventuais perdas de oferta caso o conflito na região se prolongue.

Fonte: G1

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