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ESFORÇO COLETIVO

Vídeo: com acúmulo de aguapés, pescadores limpam por conta própria o rio Poti em Teresina

Grupo de voluntários retirou parte da vegetação acumulada para permitir a passagem de embarcações e denunciam problema recorrente de poluição no rio

Da Redação

Segunda - 16/03/2026 às 16:31



Foto: Pescadores se uniram para retirar aguapés acumulados
Pescadores se uniram para retirar aguapés acumulados

Um grupo de pescadores decidiu agir por conta própria para enfrentar um problema que se repete todos os anos no rio Poti, em Teresina. No último sábado, integrantes do coletivo Guardiões do Rio Poti se reuniram nas proximidades da ponte do Mocambinho, na zona Norte da capital, para retirar parte dos aguapés que haviam se acumulado no local e impediam a passagem de embarcações.

A iniciativa partiu dos próprios pescadores, que vinham enfrentando dificuldades para trabalhar há meses devido ao bloqueio provocado pela vegetação aquática. Sem essa iniciativa os trabalhadores continuariam impedidos de acessar áreas importantes do rio para exercer a atividade.  A ação realizada no último sábado permitiu abrir uma passagem provisória entre os blocos de aguapés, mas o grupo alerta que, sem medidas estruturais para reduzir a poluição do rio, o problema tende a voltar a ocorrer.

O ambientalista e pesquisador Luciano Uchoa destaca que, diferente de anos anteriores, os aguapés que se formaram no período mais quente do ano não desceram depois que as chuvas começaram. "Os pescadores da região dizem que há uma curva um pouco antes da ponte que reduz a velocidade da água, o que favorece o acúmulo da vegetação. Além disso, os pilares da ponte ficam relativamente próximos uns dos outros, o que facilita que grandes blocos de aguapés fiquem presos entre as estruturas".

Com essa situação, os pescadores ficaram impedidos de subir o rio para trabalhar. O bloqueio atingiu justamente comunidades que dependem da pesca para garantir renda e alimentação. Integrantes do coletivo afirmam que problema foi comunicado com antecedência, mas nenhuma ação foi realizada. O pescador conhecido como Quarenta,  ainda em maio do ano passado, os pescadores chegaram a divulgar alertas nas redes sociais e também procuraram órgãos da prefeitura para relatar o avanço da vegetação no rio. "A gente avisou que, se nada fosse feito, em poucos meses o rio ia fechar, e foi o que aconteceu”, relata.

Pescador Quarenta disse que alertou autoridades sobre o problema

Segundo Quarenta, em julho do ano passado a quantidade de aguapés já era suficiente para dificultar a navegação em alguns trechos do rio Poti. Na época, pescadores já enfrentavam problemas para se deslocar até áreas tradicionais de pesca, como a região próxima à Ponte Estaiada. Com a chegada das primeiras chuvas, parte da vegetação desceu com o aumento da correnteza. No entanto, os aguapés acabaram se acumulando nas proximidades da Ponte do Mocambinho, formando uma grande barreira natural.

O pescador afirma que chegou a entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para alertar que aquele seria o momento ideal para retirar a vegetação antes que o problema se agravasse. Segundo ele, não houve resposta. “Quando os aguapés desceram e ficaram presos na ponte do Mocambinho, eu liguei para a Secretaria de Meio Ambiente e avisei que era hora de retirar. Mas até agora não tivemos retorno de nada”, afirma.

Foi então que o grupo Guardiões do Rio Poti decidiu organizar uma força-tarefa para abrir um canal entre a vegetação acumulada. O trabalho está sendo feito de forma manual, com barcos e ferramentas simples,  como foices e motosserra, exigindo horas de esforço coletivo.

O coletivo Guardiões do Rio Poti reúne pescadores voluntários que atuam na defesa do rio e na mobilização da categoria. Além de retirar aguapés em situações emergenciais, o grupo também busca chamar atenção para problemas ambientais que afetam o curso d’água.

O crescimento descontrolado de plantas aquáticas como o aguapé é frequentemente associado à poluição dos rios. De acordo com estudos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o excesso de nutrientes na água, provocado principalmente pelo lançamento de esgoto sem tratamento, favorece a proliferação dessas espécies. Quando se multiplicam em grandes quantidades, os aguapés podem prejudicar a navegação, reduzir a oxigenação da água e comprometer o equilíbrio do ecossistema aquático.

No caso do rio Poti, pescadores afirmam que o problema ocorre todos os anos e se repete sem que haja soluções permanentes por parte do poder público. Para quem vive da pesca, a retirada manual da vegetação acaba sendo a única forma de garantir a continuidade da atividade. 

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