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INVESTIGAÇÃO

STJ afasta ministro Marco Buzzi por unanimidade após denúncias de assédio sexual

Sessão extraordinária do pleno do STJ foi convocada pelo presidente da Corte, Herman Benjamin, após nova denúncia de assédio contra Buzzi

Da redação

Terça - 10/02/2026 às 16:51



Foto: CNJ Ministro Marco Buzzi é afastado após denúncia de assédio sexual contra jovem de 18 anos
Ministro Marco Buzzi é afastado após denúncia de assédio sexual contra jovem de 18 anos

O pleno do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, afastar o ministro Marco Buzzi de suas funções nesta terça-feira (10). A decisão ocorre no âmbito de uma sindicância que apura graves denúncias de assédio sexual contra o magistrado. Mesmo com a apresentação de um atestado médico de 90 dias por parte de Buzzi, os ministros entenderam que o afastamento cautelar era necessário até a conclusão das investigações.

Durante o afastamento, o ministro está proibido de utilizar o local de trabalho, veículo oficial e outras prerrogativas do cargo. Uma comissão de sindicância para deliberar sobre o resultado das apurações foi marcada para o dia 10 de março.

Buzzi foi alvo de duas denúncias de assédio sexual. A primeira mulher que o denunciou foi uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro. O segundo relato de assédio sexual chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Fontes ouvidas pelo Metrópoles afirmaram que o corregedor nacional, ministro Mauro Campbell Marques, ouviu declarações da nova suposta vítima e registrou oficialmente a denúncia.

Defesa e Estado de Saúde

Buzzi apresentou um atestado assinado por uma psiquiatra citando comorbidades como diabetes e hipertensão, além de necessidade de acompanhamento neurológico. Em carta enviada aos colegas, o ministro declarou-se inocente, repudiou as acusações e afirmou que provará sua integridade ao longo do processo.

A defesa do magistrado manifestou "irresignação" com a medida, classificando o afastamento cautelar como um "precedente arriscado" antes do pleno contraditório.

Buzzi escreveu uma carta aos ministros do STJ dizendo que é inocente e que provará isso no curso do processo. O ministro, que apresentou atestado médico de 10 dias após a divulgação da primeira denúncia, afirmou que se encontra “internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional”.

“De modo informal, soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, diz o ministro em trecho da carta.

Na declaração, o ministro afirma que provará ser inocente. “Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado”, disse

A denúncia

As investigações sobre o ministro Marco Buzzi detalham um episódio de extrema gravidade que teria ocorrido em 9 de janeiro, durante as férias do magistrado em Balneário Camboriú (SC). A vítima, uma jovem de 18 anos e filha de amigos próximos de Buzzi, relatou ter sofrido tentativas de abuso enquanto estava no mar. De acordo com os relatos colhidos pelo portal Metrópoles, a dinâmica do ocorrido aponta para uma conduta insistente por parte do ministro.

Enquanto a jovem tomava banho de mar, o ministro, que também estava na água, teria tentado agarrá-la por três vezes. A jovem relatou que o magistrado estava visivelmente excitado e, após conseguir se desvencilhar, ela correu para a praia em estado de desespero para avisar os pais. Estupefatos com o relato, os pais da jovem deixaram imediatamente o local e seguiram para São Paulo, onde registraram o boletim de ocorrência. O casal foi encaminhado para relatar e denunciar o fato ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que Buzzi, na condição de ministro do STJ, tem foro privilegiado.

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